O delegado Luciano Alcântara, da Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), concedeu entrevista ao GP1 nesta terça-feira (23) e apresentou detalhes da investigação que resultou na segunda fase da Operação Extrema Confiança, que desarticulou um esquema criminoso de pirâmide financeira que movimentou mais de R$ 440 milhões e fez quase 300 vítimas no Piauí.
Nessa etapa da operação, foram presos Elison Araújo Abreu e Igor de Sousa Silva. De acordo com a Polícia Civil, o esquema seria liderado pelo trader e empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, o Chico, que está foragido.
Os suspeitos atraíam investidores com promessas de rentabilidade mensal de até 10% em supostas operações realizadas na Bolsa de Valores do Brasil. Para dar aparência de legalidade ao negócio, foi criada a empresa Xtreme Trade, registrada na Junta Comercial do Piauí.
Segundo o delegado, a investigação foi dividida em duas frentes: uma tradicional, voltada à identificação dos envolvidos e coleta de provas, e outra financeira, responsável por rastrear a movimentação dos recursos.
“Foi feito o afastamento do sigilo bancário e fiscal de algumas pessoas envolvidas com a empresa Xtreme. Após o deferimento judicial desses afastamentos, passamos a fazer análise desse material encaminhado pelas instituições financeiras”, afirmou Luciano Alcântara.
Pirâmide financeira
Durante a entrevista, o delegado também explicou como funcionava o modelo investigado, caracterizado como uma variação do esquema Ponzi, modalidade de pirâmide financeira. “Faz parte do golpe ele pagar alguns rendimentos. Ele paga durante certo tempo porque quer que aquela pessoa que recebeu o rendimento faça propaganda para a próxima”, explicou.
O esquema depende constantemente da entrada de novos investidores para continuar funcionando. “Quanto mais gente entra na pirâmide e coloca dinheiro, mais ela consegue prosperar. Porém, quem entra por último é quem sofre o maior prejuízo financeiro”, esclareceu Luciano Alcântara.
Valor movimentado
A análise preliminar revelou uma movimentação considerada sem precedentes em investigações semelhantes realizadas no estado. O delegado explicou que a elevada movimentação financeira também ajuda a explicar os bloqueios bancários relatados pela empresa durante seu funcionamento.
“Um montante de R$ 440 milhões sendo movimentado em instituições financeiras, é claro que essas instituições em algum momento vão duvidar da legitimidade daqueles valores. Por isso alguns bancos travam ou bloqueiam essas contas para questionar a origem dos recursos”, detalhou Luciano Alcântara.
Rastro do dinheiro
Além de identificar os responsáveis pelo esquema, a Polícia Civil também trabalha para descobrir o destino dos valores movimentados. “Essa investigação financeira nos traz esses dados e traz mais: para onde foi o dinheiro. Essa é a função dessa investigação, identificar, rastrear e dizer para onde foi”, explicou a autoridade policial.
Ainda conforme Luciano Alcântara, as análises apontam que empresas e pessoas físicas sem vínculo aparente com a Xtreme receberam quantias significativas oriundas das contas investigadas. “O que nós temos até o momento são informações de que empresas e até pessoas físicas que, em tese, não têm relação com a empresa Xtreme, teriam recebido uma quantidade significativa de dinheiro”, afirmou.
Diante dessas suspeitas, a Justiça autorizou o bloqueio de valores relacionados a essas pessoas e empresas. Elas poderão apresentar defesa e comprovar a origem dos recursos recebidos.
Brunno Suênio
Thais Guimarães
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