O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se manifestou publicamente após ter o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em decisão tomada na tarde de quinta-feira (18). A medida foi formalizada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com base no acúmulo de ausências do parlamentar nas sessões plenárias.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo negou qualquer irregularidade criminal e sustentou que a cassação foi motivada por sua atuação política. Segundo ele, a permanência nos Estados Unidos, onde está desde fevereiro, não foi um afastamento improdutivo e teria gerado efeitos concretos no cenário internacional, citando sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras. Para o deputado, a perda do mandato não representa derrota, mas reconhecimento por suas posições.
“Acabaram de cassar o meu mandato. Não por corrupção, por ter encontrado dinheiro na minha cueca ou por envolvimento com o tráfico de drogas. Aliás, muito pelo contrário. Cassaram o meu mandato por eu fazer exatamente aquilo que os meus eleitores esperam de mim. Então, eu deixo aqui o meu muito obrigado a todos vocês que não somente votaram em mim e me fizeram o deputado federal mais votado de toda a história do Brasil”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
“Pra mim o que fica, na verdade, é uma medalha de honra, não é a perda de um mandato. E eu tenho certeza que essa história não acabou (…). E, certamente, com apenas 41 anos de idade, ainda haverá muitos capítulos dessa linda história”, disse.
O parlamentar também direcionou críticas aos integrantes da Mesa Diretora que votaram pela cassação, afirmando que ajudou a fortalecer a bancada paulista do partido nas eleições de 2022. Eduardo declarou que deputados beneficiados por esse apoio acabaram votando contra ele, mesmo, segundo sua avaliação, não tendo força eleitoral própria fora da legenda.
“Ainda durante a eleição de 2022, eu pedia votos para outros candidatos a deputado federal pelo estado de São Paulo para fazer uma bancada grande. E eu atingi o meu objetivo, porque eu jogo pro grupo. E eu tenho a certeza que eu fiz o certo, e isso é que é o mais importante. Mesmo sabendo agora que os deputados federais beneficiados, que não seriam eleitos se tivessem outro partido, estejam hoje votando para cassar o meu mandato”, afirmou.
Além de Eduardo Bolsonaro, a Mesa Diretora também cassou o mandato de Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos e um mês de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Diferentemente de Ramagem, considerado foragido após fugir para os Estados Unidos, Eduardo teve o mandato extinto por faltas regimentais, após tentativa frustrada de exercer a função de forma remota, iniciativa barrada pela presidência da Câmara.
Caroline Vitorino
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