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Política

Governo Lula quer impedir Tarcísio de herdar capital político de Bolsonaro

Além de conter Tarcísio, o Planalto observa os próximos passos do entorno de Bolsonaro e de Trump.

Após a instalação de tornozeleira eletrônica em Jair Bolsonaro (PL), o núcleo político do presidente Lula (PT) passou a atuar em duas frentes principais: impedir que o ex-presidente se vitimize diante da opinião pública e dificultar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), herde seu capital político. A avaliação interna é de que a operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, abalou o futuro político de Bolsonaro e criou oportunidades para o Governo Federal reagir com cautela, sem alimentar narrativas de perseguição.

Durante a ação da PF, realizada na sexta-feira (18), foram apreendidos US$ 14 mil em espécie na casa de Bolsonaro. O ex-presidente também foi proibido de utilizar redes sociais e está submetido a recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 7h. Governistas avaliam que esses elementos devem ser usados para enfraquecer qualquer tentativa de comoção popular, inclusive por meio da narrativa de que Bolsonaro pretendia fugir do país. Ao mesmo tempo, interlocutores do Planalto orientam que Tarcísio não seja desvinculado de ações do ex-presidente, visando impedir que ele se projete como alternativa moderada da direita.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da RepúblicaLula e Tarcísio de Freitas
Lula e Tarcísio de Freitas

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, já deu o tom do confronto ao criticar publicamente Tarcísio por declarações sobre política externa. Em publicação nas redes sociais, ela associou o governador à guerra tarifária promovida por Donald Trump contra o Brasil, e responsabilizou Bolsonaro, seu filho Eduardo e aliados nos Estados Unidos pela medida. A crítica veio após Trump anunciar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o que, segundo petistas, reforça a tese de que o bolsonarismo atua contra os interesses nacionais.

Apesar de reconhecerem que a operação contra Bolsonaro desviou momentaneamente o foco de pautas que vinham favorecendo Lula, como justiça tributária e soberania, integrantes do governo acreditam que o episódio era inevitável e pode ser revertido a favor do Planalto. A avaliação é de que o tempo da política difere do tempo do Judiciário, e que a recente movimentação internacional, como a restrição de entrada de ministros do STF nos Estados Unidos, pode ser utilizada para reafirmar o discurso nacionalista e reforçar a posição do governo brasileiro diante do cenário externo.

Além de conter Tarcísio, o Planalto observa os próximos passos do entorno de Bolsonaro e de Trump. Governistas avaliam que reações vindas do presidente americano ou do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) podem reabrir o debate sobre soberania, o que interessa à estratégia petista. Empresários que apoiam Tarcísio e têm relações comerciais com os Estados Unidos também passaram a procurar o Governo Lula em busca de alternativas às tarifas, o que, na visão de auxiliares, cria oportunidades de diálogo político e econômico com setores antes alinhados ao bolsonarismo.

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