O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou nesta segunda-feira (21) a forma como a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos está sendo conduzida por ambos os lados. Em entrevista ao Estadão, ele também apontou que o apoio do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao tarifaço anunciado por Donald Trump acabou criando “um problema para a direita”.
Zema avaliou como um erro a decisão do presidente norte-americano de penalizar o país com novas tarifas e afirmou que a postura de Eduardo Bolsonaro não foi adequada. “Houve, em minha opinião, um erro também, que não se justifica, do presidente Trump, de penalizar o país. [...] E, realmente, a posição que foi adotada não foi a mais correta pelo filho do ex-presidente. Acho que isso acabou causando um problema para a direita”, disse o governador.
O mineiro também criticou a maneira como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expôs suas insatisfações com Washington durante a Cúpula do Brics, no início do mês, e se aproximou de países historicamente considerados antiamericanos. Para ele, divergências entre os chefes de Estado deveriam ser tratadas diretamente. “Se o presidente Lula tem algum senão com relação aos Estados Unidos, deveria ter pedido uma audiência e ter ido lá falar: ‘Trump, eu não quero isso, não concordo com isso’, e não ficar falando para o mundo todo. E pior, ainda se aliando a países que claramente são antiamericanos, caso de Cuba, caso de Irã, causando uma proximidade constrangedora”, afirmou.
Questionado sobre os caminhos para resolver a crise comercial, Zema ressaltou a necessidade de atuação coordenada entre governo e setor produtivo. Ele elogiou a iniciativa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vem dialogando com representantes das indústrias brasileiras e americanos. “Sei que já houve reuniões junto com a diplomacia brasileira e o governo, e é preciso fazer uma força-tarefa”, disse.
Por fim, o governador ponderou que eventuais retaliações dos Estados Unidos deveriam se concentrar no governo federal, sem afetar amplamente setores estratégicos da economia, como a indústria aeronáutica, o suco de laranja e o café. “Acho que o presidente americano também tem de ver com seus assessores: se ele está discordando do posicionamento do governo brasileiro, que haja uma ação no sentido de retaliar o governo e não o país, que são entidades distintas, e ele tem como fazer isso”, concluiu.
Caroline Vitorino
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