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Saúde

Comitê da Alemanha diz que vacina de Oxford não deve ser aplicada em idosos

Comitê de vacinas alemão sugeriu que imunizante seja usado apenas em pessoas com idade entre 18 e 64 anos.
Por Estadão Conteúdo

O comitê de vacinas da Alemanha informou que o imunizante contra covid-19 desenvolvido pela AstraZeneca deve ser aplicado apenas em pessoas com idade entre 18 e 64 anos. A recomendação foi feita nesta quinta-feira, 28, às vésperas de o órgão regulador da Europa julgar se a vacina poderá ser utilizada nos países do continente. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, discordou da afirmação e disse que o imunizante é eficaz para pessoas de todas as faixas etárias.

Por comunicado, o comitê alemão, Stiko, disse que "atualmente, não há dados suficientes disponíveis para avaliar a eficácia da vacina a partir dos 65 anos de idade". A nota, aprovada pelo ministério da saúde alemão, acrescentava que "a vacina AstraZeneca, ao contrário das vacinas de mRNA, só deve ser oferecida a pessoas com idade entre 18 e 64 anos", acrescentou.

Perguntado sobre a avaliação alemã, Johnson comentou: “Não concordo com isso. Nossas próprias autoridades deixaram muito claro que acham que a vacina Oxford/AstraZeneca é muito boa e eficaz”.

A declaração foi feita em visita a uma fábrica de vacinas na Escócia. “A evidência que eles viram, que eles receberam, é de que eles acham que é eficaz em todos os grupos etários, e fornece uma boa resposta imune em todos os grupos etários.”

A avaliação da Stiko foi baseada nos mesmos dados de teste publicados pela revista médica The Lancet em 8 de dezembro. Também em dezembro, a União Europeia aprovou o desenvolvimento da vacina da Pfizer, que é feita em parceria com o laboratório alemão BioNTech, e, em janeiro, autorizou a aplicação do imunizante da Moderna.

A AstraZeneca ainda não comentou a recomendação feita pelos alemães. Na segunda-feira, a farmacêutica negou que sua vacina contra covid-19 não seja eficaz para pessoas com mais de 65 anos. A declaração foi feita depois após cientistas declararem na imprensa alemã que temiam que a vacina não fosse aprovada na União Europeia para uso em idosos.

O ministério da saúde alemão disse que das 341 pessoas vacinadas no grupo com 65 anos ou mais, apenas uma foi infectada com o coronavírus, o que significa que o painel de especialistas em vacinas não conseguiu obter uma declaração estatisticamente significativa sobre essa faixa etária.

O presidente-executivo da AstraZeneca, Pascal Soriot, disse que a empresa tinha menos dados do que outras farmacêuticas sobre os idosos porque começou a vacinar os idosos mais tarde. "Mas temos dados sólidos que mostram uma produção muito forte de anticorpos contra o vírus em idosos, semelhante ao que vemos em pessoas mais jovens”, disse Soriot ao jornal Die Welt em entrevista no início desta semana.

A Alemanha também enfrenta o problema com doses limitadas de vacina depois que a Pfizer e a AstraZeneca anunciaram atrasos nas entregas nas últimas semanas. O ministro da Saúde, Jens Spahn, alertou que a escassez duraria até abril.

Em dezembro, o Reino Unido se tornou o primeiro país a aprovar o uso da vacina desenvolvida pela AstraZeneca. O governo do país disse que não recomendaria uma vacina em vez de outra para diferentes grupos da população, embora os dados sobre a eficácia da vacina AstraZeneca em idosos sejam atualmente limitados.

O imunizante começou a ser aplicado em janeiro, em uma campanha que tem como alvo pessoas mais velhas. Mais de 7 milhões de pessoas já receberam a primeira dose. A Grã-Bretanha também tem usado a vacina desenvolvida pela Pfizer e BioNTech.

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