Uma investigação conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), que culminou com uma operação realizada no último dia 23 de outubro, que teve oito pessoas presas, revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas, que movimentou cerca de R$ 12 milhões em transações atípicas.
O relatório obtido com exclusividade pela Coluna mostra que a empresária Vânia Larissa Ribeiro Pires, proprietária da loja Favorita Girls, desponta como uma das principais operadoras financeiras do grupo liderado por seu esposo, o empresário João Paulo Melo de Carvalho, tido como empresário bem-sucedido no município de Esperantina.
Segundo a investigação, Vânia Larissa utilizava tanto sua pessoa física (CPF) quanto sua pessoa jurídica (CNPJ) para movimentar recursos provenientes do tráfico, com transferências bancárias suspeitas entre contas pessoais, empresariais e de terceiros. Tais movimentações chamaram a atenção de instituições financeiras, que emitiram comunicações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), devido ao volume e à frequência das transações consideradas incompatíveis com o perfil declarado da empresa.
Função de Vânia Larissa na organização criminosa
O Departamento apontou que Vânia Larissa tinha papel central no chamado núcleo de lavagem de dinheiro da organização criminosa. Ela seria responsável por receber valores oriundos da venda de entorpecentes e por inseri-los no sistema financeiro de forma a mascarar sua origem ilícita. Parte desses valores teria sido recebida em nome da própria empresa Favorita Girls, o que dava aparência de legalidade às operações.
Além disso, Vânia também teria orientado traficantes a realizar depósitos na conta de João Paulo Melo de Carvalho, dono da empresa JC Comércio e Serviços, utilizada igualmente para movimentações suspeitas.
O comando da ORCRIM
João Paulo Melo de Carvalho, marido de Vânia Larissa, é apontado como o líder da organização, sendo o responsável pela distribuição dos entorpecentes. Junto de Vânia, ele coordena tanto o tráfico quanto o esquema financeiro. No meio social, ambos mantinham a imagem de empresários respeitados e bem-sucedidos.
Estrutura do grupo
O relatório obtido pela Coluna detalha, assim, que a ORCRIM era composta por diferentes núcleos de atuação, interligados entre si:
- Núcleo de Liderança: comandado por João Paulo Melo de Carvalho, com apoio direto de Vânia Larissa Ribeiro Pies;
- Núcleo de lavagem de dinheiro: integrado por Vânia Larissa, João Paulo, Jonas Borges Pereira Filho, Luís Fernando Falcão de Carvalho e Bruna Patrícia Pereira da Cruz;
- Núcleo de tráfico no varejo: responsável pela venda direta de drogas, envolvendo nomes como Nilson Oliveira Rebelo, Euclimar Alves da Silva, Luís Fernando Falcão de Carvalho, Ronaldo Francisco de Oliveira Rosa e Jonas Borges Pereira Filho.
Segundo a investigação, a atuação de cada integrante não era restrita a um único núcleo, pois alguns deles exerciam funções em mais de uma frente criminosa, o que demonstra o alto grau de complexidade e integração da organização.
Alertas e movimentações suspeitas
As autoridades destacam que as movimentações financeiras realizadas por Vânia Larissa e pela empresa Favorita Girls apresentavam padrões típicos de lavagem de dinheiro, incluindo transferências entre contas vinculadas, recebimento de valores elevados em curto intervalo de tempo e depósitos de origem não comprovada.
Essas operações resultaram em sucessivos alertas automáticos enviados ao COAF, que subsidiaram as investigações e permitiram o rastreamento do fluxo de capitais, por meio de Relatório de Inteligência Financeira, os RIFs.
Rapidinhas
Empresa automotiva entra no radar da investigação do DENARC
As apurações conduzidas pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC) revelaram novas ramificações do esquema de lavagem de dinheiro vinculado a uma organização criminosa (ORCRIM) que atua no tráfico de drogas. Segundo o relatório, além da loja Favorita Girls, de propriedade de Vânia Larissa Ribeiro Pies, uma empresa do ramo automotivo também teria sido utilizada para o branqueamento de capitais provenientes da atividade ilícita.
De acordo com as investigações, a empresa automotiva foi registrada em nome de pessoas interpostas, indivíduos sem vínculo financeiro ou comercial compatível com o porte da atividade exercida. Essa prática, conhecida como “laranjas”, é comum em esquemas de lavagem de dinheiro e tem como objetivo ocultar os verdadeiros proprietários e a origem dos recursos movimentados.
O papel das demais empresas no esquema
Conforme consta no relatório, a operação criminosa se valia de um mecanismo sofisticado de lavagem de capitais: o dinheiro obtido com o tráfico de drogas era pulverizado entre contas de empresas e pessoas físicas, passando a circular como se tivesse origem legítima.
No caso da empresa automotiva, os investigadores observaram a aquisição e revenda de veículos em nome de terceiros, bem como transferências financeiras injustificadas entre contas vinculadas. O mesmo padrão foi identificado nas movimentações da loja Favorita Girls.
Essas transações reiteradas levaram os bancos a emitir alertas de movimentação suspeita ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), reforçando os indícios de branqueamento de capitais.
Nesta quinta-feira (30), a Coluna vai revelar novas empresas utilizadas para pulverizar o dinheiro oriundo do tráfico de entorpecentes.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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