Operação Carbono Oculto 86: polícia tem 30 dias para concluir inquérito
A Polícia Civil do Piauí tem um prazo de 30 dias para concluir o inquérito da Operação Carbono Oculto 86, deflagrada para investigar um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação foi confirmada nessa quarta-feira (05) pelo delegado Anchieta Nery, diretor de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-PI).
Segundo o delegado, apesar de o Poder Judiciário ter negado os pedidos de prisão temporária de alguns investigados, a decisão não compromete o andamento das investigações.
“Não prejudica de maneira nenhuma a investigação. Eram prisões temporárias de alguns desses envolvidos em posição de liderança. O Poder Judiciário entendeu que era mais adequado o deferimento de cautelares diversas da prisão. Isso pode acontecer em uma investigação”, explicou Anchieta Nery.
O diretor de Inteligência da SSP-PI destacou que a operação segue em andamento e que novas diligências foram realizadas durante toda a quarta-feira. O foco agora é a análise de provas e dados apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
“O importante é que a gente conseguiu obter as provas necessárias para fechar os quatro inquéritos policiais. A gente estava cumprindo buscas até a manhã dessa quarta. Agora temos o prazo de 30 dias para finalização”, afirmou o diretor de Inteligência.
Entre as diligências ainda pendentes de análise pela Polícia Civil estão o afastamento de sigilo bancário de investigados e a extração de dados de dispositivos eletrônicos apreendidos. Segundo o delegado, duas das quatro investigações devem ser concluídas em até 10 dias, aquelas produzidas pela DECCORTEC, enquanto as demais podem se estender além do prazo inicial.
“Tem uma série de diligências pendentes, como o afastamento de sigilo bancário e a extração dos dados de alguns dispositivos eletrônicos. Eu acredito que pelo menos duas dessas investigações estarão fechadas dentro de um prazo de 10 dias, e as outras duas podem superar esse prazo de 30 dias. Também podem ser instauradas novas investigações a partir do material arrecadado nessa fase”, explicou Anchieta Nery.
A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada pela Polícia Civil do Piauí em parceria com o Ministério Público do Piauí e IMEPI, com o objetivo de desarticular o braço financeiro do PCC na região Nordeste. O grupo investigado é suspeito de movimentar centenas de milhões de reais por meio de uma rede de postos de combustíveis HD Petróleo e empresas de fachada.
Raídinhas
Quem são os alvos da Operação Carbono Oculto 86 no Piauí
Entre os principais investigados estão empresários e pessoas apontadas como operadores do grupo econômico que deu origem à rede de Postos HD e empresas associadas. São eles:
- Haran Santhiago Girão Sampaio
- Danillo Coelho de Sousa
- Thamyres Leite Moura Sampaio
- Thayres Leite Moura Coelho
- Moisés Eduardo Soares Pereira
- Salatiel Soido de Araújo
- Denis Alexandre Jotesso Villani
- Andressa Castro Alves de Oliveira
- João Revoredo Mendes Cabral Filho
- Victor Linhares de Paiva
De acordo com o inquérito policial nº 16245/2025, o grupo utilizava uma estrutura empresarial complexa e estável para movimentar recursos de origem ilícita. As empresas HD Petróleo, Pima Energia Participações Ltda., Mind Energy Participações S.A. e Rede Postos Diamante estão entre as citadas nas investigações.
Bloqueio milionário
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 348 milhões em contas bancárias e ativos financeiros pertencentes aos investigados e às empresas relacionadas, como medida para garantir a reparação de eventuais danos e impedir a dissipação do patrimônio obtido de forma ilícita.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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