A Polícia Federal deu mais um passo importante nas investigações da Operação Mãos Limpas, que apura um amplo esquema de desvio de recursos públicos, fraudes em licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Secretaria Municipal de Educação de Teresina (SEMEC).
A Coluna apurou que os investigadores identificaram um volume expressivo de movimentações financeiras envolvendo o ex-servidor da Prefeitura de Teresina Marcus Almeida de Moura e dois vereadores com mandato na Câmara Municipal da capital, na época dos fatos.
Marcus Almeida foi preso no dia 14 de outubro, durante a Operação Gabinete de Ouro, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, e é apontado como operador financeiro do esquema investigado tanto pela PF quanto pelo Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR).
As investigações, iniciadas em 2023, revelaram um complexo mecanismo de direcionamento contratual, utilização de empresas de fachada, indícios de superfaturamento e retenção indevida de parte dos salários de trabalhadores terceirizados contratados para prestar serviços à SEMEC. Os fatos dizem respeito a contratos realizados em 2019 e 2022, ambos ainda em execução.
Fontes revelaram à Coluna, que parte das transações financeiras analisadas aparece em ao menos dois procedimentos investigativos distintos: um conduzido pela Polícia Federal e outro sob responsabilidade do DECCOR. Os dados financeiros chamaram atenção dos investigadores pelo padrão das transferências, valores fracionados e recorrência, características comuns em esquemas de ocultação de recursos.
Os parlamentares citados não figuram formalmente como investigados, mas os vínculos financeiros com Marcus Almeida passaram a integrar o radar das autoridades, que agora buscam esclarecer a origem, a finalidade e o contexto dessas movimentações.
Rapidinhas
Gabinete de Ouro: Justiça determina prorrogação do inquérito por 90 dias
Na semana passada, a Justiça deferiu o pedido de dilação de prazo do inquérito da Operação Gabinete de Ouro, deflagrada pelo Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil do Piauí, que culminou com as prisões da ex-chefe de gabinete do ex-prefeito de Teresina, Dr. Pessoa, Suelene Pessoa — conhecida como Sol Pessoa —, além do empresário Marcus Almeida de Moura, Mauro José de Sousa e Rafael Thiago Teixeira Ferreira.
Segundo a Polícia Civil, em razão das oitivas realizadas pelos investigados, sobretudo, da extração de dados dos aparelhos celulares apreendidos na fase ostensiva da Operação Gabinete de Ouro, era essencial que o prazo da investigação fosse elastecido, a fim de se aprofundar a apuração, diante do farto material constante nas extrações realizadas pela Polícia Civil do Piauí.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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