A Polícia Civil do Piauí indiciou um homem identificado de iniciais J. A. de A., de 34 anos, pelos crimes de extorsão e lavagem de dinheiro. A investigação foi conduzida pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) e concluído nesta semana. A operação foi realizada no dia 26 de março de 2026. Um segundo envolvido também foi indiciado, mas não teve o nome revelado e segue foragido.
De acordo com o delegado Luciano Alcântara, o caso envolve o crime conhecido como “sextorsão”, prática que tem se tornado cada vez mais comum. Segundo ele, os suspeitos abordavam a vítima inicialmente por meio do Facebook e, posteriormente, migravam a conversa para o WhatsApp, onde passavam a ganhar sua confiança.
Após esse contato inicial, a vítima era induzida a enviar fotos íntimas. A partir daí, começavam as ameaças e a cobrança de dinheiro para que o material não fosse divulgado. “As investigações apontaram que o principal suspeito realizava a extorsão exigindo valores para não divulgar as imagens. Com o tempo, ele passou a aumentar as ameaças, dizendo que faria mal à vítima e à família caso os pagamentos não fossem feitos”, explicou o delegado Luciano Alcântara.
Ainda segundo a Polícia Civil, o investigado utilizava uma estratégia para ocultar a origem ilícita do dinheiro. Ele orientava a vítima a transferir os valores para a conta de um terceiro, seu comparsa, caracterizando o crime de lavagem de capitais.
As penas pelos crimes podem chegar a até 20 anos de prisão.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores é que o principal acusado é cadeirante e possui limitações físicas, conseguindo utilizar apenas um dos braços. Mesmo assim, ele foi responsável por aplicar o golpe, que causou grande prejuízo financeiro e emocional à vítima.
A mulher chegou a perder entre R$ 40 mil e R$ 50 mil, além de sofrer abalos psicológicos severos. Segundo o delegado, ela pediu demissão do emprego, contraiu dívidas e viveu sob constante ameaça.
Acusado agia de forma fria
Outro detalhe revelado pela investigação é que o suspeito já conhecia a vítima por meio de um ex-companheiro dela. Apesar disso, a mulher não sabia que estava sendo extorquida por alguém de seu convívio. Em um episódio que evidencia a frieza do crime, o investigado chegou a receber a vítima em sua própria casa durante uma comemoração de aniversário, enquanto já a extorquia. “O dano psicológico é extremamente forte. Ele ameaçava incendiar a casa da vítima e atingir familiares, gerando um verdadeiro terror emocional”, destacou o delegado.
A Polícia Civil alerta para o crescimento desse tipo de crime e orienta a população a não compartilhar fotos íntimas ou dados pessoais com desconhecidos. Em casos de abordagem suspeita, a recomendação é interromper imediatamente o contato, não realizar pagamentos e procurar a delegacia mais próxima com as provas para o início das investigações.
“Interrompa imediatamente o contato com aquele criminoso, aquela pessoa que está pedindo dados sensíveis, a pessoa que está lhe extorquindo, interrompa, mantenha essas informações ainda no celular para que você possa se dirigir até uma delegacia de polícia, apresentar essas informações à autoridade policial, para que a gente possa dar início a uma investigação. Mas o principal é, não transfira valores, não ceda à extorsão e procure a delegacia mais próxima”, finalizou o delegado Luciano Alcântara.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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