A defesa de Maycon Victor dos Santos Soares ingressou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), solicitando a revogação da prisão preventiva do investigado, preso desde o dia 26 de março de 2026 durante operação relacionada à investigação de tráfico de drogas e associação para o tráfico, da 4º Delegacia Seccional da Polícia Civil do Piauí. O pedido foi protocolado nessa terça-feira (19).
A defesa argumenta que, durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão realizado na residência do investigado, localizada no bairro Saci, zona sul de Teresina, nenhum material ilícito foi encontrado. Segundo o documento, a própria autoridade policial reconheceu no processo que não foram apreendidos entorpecentes, armas, balanças de precisão, dinheiro fracionado ou qualquer outro elemento característico da prática de tráfico de drogas.
Nesse sentido, apenas o aparelho celular do investigado foi recolhido para extração de dados autorizada judicialmente.
A defesa sustenta ainda que a prisão preventiva foi decretada de forma genérica e coletiva, sem individualização concreta da conduta atribuída a Maycon Victor. O pedido também destaca que o investigado declarou exercer atividade lícita como ajudante de pedreiro e afirmou ser usuário de drogas.
HC liberou outro alvo da investigação
Outro ponto central apresentado no habeas corpus é a decisão favorável concedida pelo próprio TJ-PI à corré Débora Caroline Vieira de Oliveira, investigada no mesmo procedimento. Em HC próprio, a 1ª Câmara Especializada Criminal substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, como monitoração eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e comparecimento periódico em juízo.
A defesa de Maycon argumentou que existe identidade fático-processual entre os investigados e, por isso, pediu a extensão dos efeitos da decisão, com base no artigo 580 do Código de Processo Penal.
Os advogados afirmaram ainda que a situação de Maycon seria menos gravosa, já que, diferentemente da corré beneficiada, nenhum entorpecente foi apreendido em sua residência.
No pedido encaminhado ao Tribunal, a defesa requer liminar para imediata expedição de alvará de soltura ou, alternativamente, a substituição da prisão preventiva pelas mesmas medidas cautelares aplicadas à jovem já beneficiada pelo habeas corpus.
Entenda o caso
A Polícia Civil do Piauí deflagrou, no dia 26 de março de 2026, a Operação Madara na zona sul de Teresina com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado no tráfico de drogas com atuação na zona sul de Teresina. A ação foi coordenada pela 4ª Delegacia Seccional, com apoio do setor de inteligência da Polícia Civil do Piauí, além da participação de equipes da FEISPI.
Cinco pessoas foram presas, entre elas o líder do grupo criminoso, que trabalhava como servidor terceirizado junto ao Tribunal de Justiça do Piauí. O GP1 apurou que trata-se de Paulo Ubiratan Vieira de Oliveira.
As investigações apontaram que os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens instantâneas e redes sociais, especialmente perfis vinculados a números de telefone no WhatsApp, para divulgar a disponibilidade de substâncias ilícitas, negociar valores, combinar locais de entrega e confirmar pagamentos.
Os investigados utilizavam codinomes associados a personagens fictícios, especialmente de animes japoneses, como estratégia para dificultar a identificação dos interlocutores e ocultar a identidade dos integrantes da organização criminosa.
Os alvos da operação são investigados por integrarem grupos criminosos que atuam na distribuição de drogas na zona sul da capital. Materiais apreendidos e os presos serão encaminhados para os procedimentos legais e ficarão à disposição da Secretaria de Segurança Pública do Piauí.
O nome da operação faz referência a Madara Uchiha, personagem do anime Naruto, conhecido por sua liderança e atuação estratégica.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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