O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) está prestes a concluir o segundo inquérito policial que apura o assassinato do morador de rua José Carlos da Costa Araújo, conhecido como "Da Mata", executado com golpes de faca no dia 20 de novembro de 2025, na Avenida Maranhão, região central de Teresina.
A Coluna apurou que os investigadores aguardam apenas o relatório da extração de dados de um aparelho celular apreendido durante as diligências. O material deverá servir para ratificar informações já levantadas ao longo da investigação e embasar o possível indiciamento de novos envolvidos no crime.
Segundo fontes ligadas à investigação, o segundo procedimento investigativo já identificou outros suspeitos de participação na execução de José Carlos. Com a conclusão da análise técnica do aparelho pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil do Piauí, o inquérito deverá ser finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário nas próximas semanas.
Empresários já viraram réus na Justiça
Enquanto o DHPP avança na identificação de novos envolvidos, três empresários já figuram como réus na ação penal que tramita na Justiça.
Respondem ao processo João Batista José de Lima, proprietário da Cipriano Distribuidora; Marcos Antônio da Cruz Paz, da Analu Variedades; e Leocádio Silva Filho, da Casa Zíper. Os três tiveram a prisão preventiva revogada em 20 de janeiro de 2026, mediante imposição de monitoramento eletrônico. A denúncia contra eles foi apresentada pela 14ª Promotoria de Justiça, por meio do Núcleo do Júri.
De acordo com o Ministério Público, os acusados foram denunciados por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de tortura e meio cruel, além de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Ao oferecer a denúncia, o órgão ministerial sustentou a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva, requerendo a citação dos denunciados e, ao final da instrução processual, a submissão dos acusados ao Tribunal Popular do Júri.
A denúncia foi recebida pela Justiça em 19 de fevereiro deste ano, e os empresários passaram a responder ao processo em liberdade.
Rapidinhas
Crime chocou Teresina
Os empresários foram presos em 15 de dezembro de 2025 durante operação deflagrada pelo DHPP. As investigações foram conduzidas pelo delegado Jorge Terceiro e apontaram a existência de um grupo que atuou na perseguição e execução da vítima.
Inicialmente, o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Investigação de Desaparecimento de Pessoas (DESAP), mas contou com apoio de outras unidades especializadas do DHPP.
Conforme a Polícia Civil, José Carlos era conhecido por praticar furtos de aparelhos de ar-condicionado em estabelecimentos comerciais da região central da capital. No dia do crime, ele teria sido perseguido nas imediações do Mercado Velho, na Praça da Bandeira.
Justiça com as próprias mãos
As investigações apontam que integrantes do grupo localizaram a vítima, realizaram registros fotográficos e compartilharam sua localização com outros envolvidos que aguardavam nas proximidades. Ao tentar atravessar a Avenida Maranhão, José Carlos foi alcançado e atacado com faca, facão e barras de ferro.
Posteriormente, o corpo foi encontrado às margens do Rio Parnaíba com diversas perfurações provocadas por arma branca e uma das mãos decepada, circunstâncias que evidenciaram a brutalidade da execução.
Medo de virar estatística
Em um apelo carregado de emoção, Bianca Brigida, que foi espancada pelo marido em maio deste ano, na zona sudeste de Teresina, afirmou à Coluna temer pela própria vida caso José consiga deixar a prisão. Segundo ela, o receio não é de retomar qualquer convivência familiar, mas de sofrer uma vingança.
"Se esse homem sair, ele não vai fazer outra coisa além de me matar. Eu juro por Deus: eu vou virar estatística. Eu sei que vou", declarou.
"Ele quer se vingar de mim"
Bianca contestou os argumentos apresentados em favor da soltura e afirmou que José teria outros interesses ao buscar a liberdade.
"José não quer sair de lá para vir brincar de família ou colocar a empresa dele para funcionar. Ele quer se vingar de mim. Vai me fazer pagar por tudo aquilo que sempre disse que eu iria pagar. Essa conta, para ele, nunca fechou", disse.
Desabafo após 15 anos
Ao final do relato, Bianca relembrou o longo período de convivência com a situação que denuncia e reforçou o temor pelo futuro.
"Eu aguentei tudo por 15 anos e agora, se ele sair, vai me matar. Brunno, ele vai me matar", afirmou, em um dos momentos mais emocionantes do desabafo.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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