Fechar
Colunista Feitosa Costa
GP1

Wellington Dias manobra para ser candidato usando os partidos da base


O senador Wellington Dias volta a protagonizar momentos de indefinição assim como fez às vésperas do prazo final para ficar ou sair do Governo do Estado. Naquela oportunidade, chegou a garantir para aliados que ficaria à frente do executivo para garantir a vitória, decisão que deixou altamente satisfeito o então candidato a governador João Vicente Claudino. O filho do "Seu" João Claudino não tardaria a se decepcionar: nos minutos finais do segundo tempo, para utilizar como ilustração o esporte mais popular do Brasil, numa cobrança de escanteio, Wellington se impulsiona e diz que falou com Deus e que vai abandonar a grande área do Karnak para participar de uma disputa que garantiria o seu futuro: o Senado da República. O final da história todos já sabem: o trator Wilson Martins assumiu o Governo e ganhou a eleição com 300 mil votos de diferença.

Agora, quando o assunto é eleição municipal, o senador petista volta a criar a mesma situação: depois de afirmar, repetidas vezes, que não seria candidato a prefeito de Teresina, e nem a sua mulher, deputada Rejane Dias, parece ter mudado de opinião mais uma vez e se movimenta silenciosamente para colocar o seu nome pelo Partido dos Trabalhadores, numa articulação que seria perfeita para as suas pretensões de poder se os membros dos chamados partidos da base fossem todos bobos e predispostos a ser "buchas de canhão".

O senador Wellington Dias realmente não é tolo! Ele quer simplesmente que o PMDB se coligue com o PSB, lance um candidato a prefeito, perca a eleição e depois, contrito, corra para apoiá-lo num eventual segundo turno. A mesma coisa faria o PTB encabeçado por Elmano Férrer, que arranjaria um vice que não fosse do PT para entrar na disputa, sabem por quê?

Imagem: Bárbara Rodrigues/ GP1Senador Wellington Dias (Imagem:Bárbara Rodrigues/ GP1)Senador Wellington Dias

Simplesmente porque o PT sairia com chapa pura, tendo Wellington na cabeça e Cícero Magalhães de vice, para garantir que a Prefeitura de Teresina ficasse nas mãos do Partido dos Trabalhadores quando chegasse o ano de 2014 e o senador deixasse a chefia do município para disputar o Governo do Estado, seu maior desejo.

Os leitores perceberam como a manobra é interessante para Wellington Dias: ele calcula que as várias candidaturas de partidos aliados garantiriam o segundo turno, no qual ele estaria, provavelmente com Firmino Filho, do PSDB, que não teria com quem se aliar neste caso. Seria assim, ou será, que PMDB, PSB, PC do B e outros partidos, serviriam de "bucha de canhão", como diriam os políticos mais espirituosos.

Mais na frente, bem na frente, se a manobra desse certo, o velho e querido de guerra Partido dos Trabalhadores, ficaria com a prefeitura de Teresina e o Governo do Estado. Pronto...estaria provada a genialidade política do menino que queria ser vaqueiro e foi incentivado pelo amigo a ser doutor.

E com que ficaria o PMDB no final dessa engenharia?, perguntariam os observadores da política tradicional, aquela em que se professa a máxima do "é dando que se recebe". Mais uma vez aparece a sensibilidade e generosidade do senador petista: eleito, o prefeito Wellington Dias chamaria para compor a sua principal secretaria a sua velha companheira Regina Sousa, na minha opinião uma mulher que tem muita responsabilidade nas vitórias do senador até aqui, que é sua primeira suplente, abrindo a vaga para o segundo suplente, José Ribamar Noleto de Santana, amigo pessoal do deputado Themístocles Filho, do PMDB.

No momento é somente esse o desejo do senador Wellington Dias.

Há sinais, entretanto, de que pelo menos o PMDB já enxergou a manobra e não estaria disposto a sacrificar, lá na frente, a sua maior chance de voltar a governar o Piauí.O PMDB  já estaria acertado com o PSDB, indicando o candidato a vice de Firmino Filho, o ex-ministro João Henrique de Almeida Souza.


*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2024 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.