A carreira política do médico e professor da Universidade Federal do Piauí, José Pessoa Leal, o famoso Dr. Pessoa, acabou no Plenário da Câmara Municipal de Teresina na manhã desta quarta-feira, 28 de outubro de 2025, quando os parlamentares aprovaram relatórios do Tribunal de Contas do Estado do Piauí que reprovam as prestações de contas de sua gestão como prefeito da capital piauiense relativas aos anos de 2022 e 2023. A prestação de contas do ano de 2021 foi aprovada com ressalva. Ainda hoje, o TCE não enviou à Câmara de Vereadores o relatório sobre a prestação de contas de 2024.
No mínimo, Dr. Pessoa terá os direitos políticos suspensos por oito anos. Ele já está com 79 anos e, pelas peripécias que realizou como prefeito, poderá sofrer outros reveses na esfera judicial. Ficando oito anos sem poder disputar um mandato eletivo, dificilmente, após esse período, o ex-prefeito de Teresina terá condições de retornar aos trilhos da política partidária.
A soberba, o desleixo, a forma debochada e a peculiar incompetência com que administrou Teresina levaram o Dr. Pessoa a ser o único, entre os 54 ex-prefeitos de capitais piauienses, a ter as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado e referendadas pela Câmara de Vereadores de Teresina. Mas a grande prejudicada e castigada “sem dó e sem piedade” pela gestão de Dr. Pessoa foi a capital do Piauí.
Vereadores que aprovaram as contas
O repórter David Fernandes, do Portal GP1, listou os nomes dos vereadores e vereadoras que votaram pela aprovação das contas do ex-prefeito de Teresina, Dr. Pessoa, mesmo diante das evidentes irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado e ratificadas no relatório do presidente da Comissão de Finanças, Orçamento, Fiscalização Financeira e Ordem Econômica, o vereador Joaquim Caldas, o Joaquim do Arroz, do PT.
Por incrível que pareça, encabeça a lista o líder do atual prefeito de Teresina na Câmara de Vereadores, o vereador Bruno Vilarinho, do PRD, seguido pela vereadora Fernanda Gomes e pelos vereadores James Guerra, Juca Alves, Luís André, Roncallin, Samuel Alencar e Valdemir Virgino. O dia 28 de outubro foi histórico na Câmara: passam à história da capital piauiense o ex-prefeito de Teresina, Dr. Pessoa, e os parlamentares do legislativo teresinense que votaram contra e a favor das prestações de contas dele relativas aos anos de 2022 e 2023.
Renegociação de dívida na Câmara
Só falta mais uma votação para a Câmara de Vereadores aprovar o pedido feito à Casa Legislativa pelo prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, para que a prefeitura da capital piauiense renegocie uma dívida de quinhentos mil reais junto ao Banco do Brasil. A segunda votação deverá acontecer na próxima semana, e até a oposição está a favor. “Pensando na cidade”, argumentam os opositores ao prefeito. Menos mal, Teresina não aguenta mais atividade parlamentar e administrativa assentada em picuinha e vendetta.
Situação da cidade: saúde, transporte e limpeza urbana
Enquanto isso, a capital do Piauí continua suja. Lixo nas ruas, avenidas, praças e bairros; é raro vermos um logradouro teresinense devidamente asseado. E, ai de quem precise dos serviços das UPAs — as Unidades de Pronto Atendimento Médico — e das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Ir até elas é “morrer de raiva”: nelas falta quase tudo e não tem quase nada.
E o sistema de transporte coletivo, ruim estava e ainda não melhorou, mesmo depois que o atual prefeito de Teresina foi empossado no cargo em 1º de janeiro de 2025, apesar de ter prometido, durante a campanha eleitoral de 2024, que, se eleito, em até três meses resolveria estes problemas que causam tantos transtornos aos teresinenses. Vida que segue. Uns prometendo, e os demais esperando.
E as praças de Teresina, como estão? Sem os devidos cuidados, com a aparência de desprezadas, abandonadas e tratadas sem o devido carinho que a “Cidade Verde”, conforme denominada pelo escritor Coelho Neto, merece.
Obras e inaugurações do Governo do Estado
O governador Rafael Fonteles segue em ritmo frenético de inaugurações em Teresina, no interior e no litoral, de obras feitas por indicação do Orçamento Participativo Digital, criado pela Secretaria de Planejamento do Estado, sob a égide do ex-tucano e mentor das ex-gestões do PSDB à frente da Prefeitura de Teresina, o professor da Universidade Federal do Piauí, Washington Bonfim.
O governador do Estado disse, na segunda-feira passada, 27 de outubro, no evento de inauguração da reforma da praça do conjunto habitacional Renascença I: “só em Teresina ele tem mais de cem obras para inaugurar”. O chefe do Executivo estadual apregoa que só fala sobre eleição em 2026, mas, pela forma como se porta e fala com o povo nas inaugurações, é “bom, muito bom” que a oposição “bote as barbas de molho”. Rafael e os “rafaboys” não estão para brincadeira e se mostram serelepes, como se “só eles” estivessem em campanha; opa, trabalhando para não serem desabrigados do Palácio de Karnak em 2026.
Articulações políticas e pré-candidatos
Muitos integrantes da oposição ao governador Rafael Fonteles, do PT, entendem que já está mais do que na hora do senador Ciro Nogueira, do PP, deixar de lado o “lero-lero” com a “família Bolsonaro” e cair em campo em solo piauiense, campeando correligionários, adesões e votos para evitar a “mordida da porca” em outubro vindouro.
Pelo ar, a bordo de helicóptero, assim estão “andando” pelo Piauí os pré-candidatos do PL: o radialista, jornalista e escritor Toni Rodrigues, ao Governo do Estado, e o agropecuarista Tiago Junqueira, ao Senado da República.
No seio petista, a aparente paz política é velada pela acirrada peleja entre a turma do governador e a turma do ministro. Os “rafaboys”, tal qual “terra de cemitério”, querem abocanhar tudo na chapa majoritária. Além da indicação do nome do atual governador Rafael Fonteles à reeleição, querem também indicar o candidato a vice-governador e já escolheram quem será: o atual secretário de Educação do Estado, Washington Bandeira.
De lá, do Planalto Central, colado ao Cacique Maior da Tribo Petista Nacional, o presidente Lula, o ministro Wellington Dias — o cacique-mor do petismo piauiense — assiste à movimentação dos “rafaboys” como quem não está vendo nada, demonstrando inocência, mas operando para “dar as cartas” e indicar alguém de sua confiança para fazer sombra a Rafael Fonteles, que, segundo integrantes da turma do “Índio”, tem “botado as asas de fora” em atitude considerada ingrata para com o ex-governador e ministro Wellington Dias.
Os dois times estão em campo, e as bandeiras tremulam aparentemente de forma amistosa, mas, no decorrer da partida, tudo pode acontecer — inclusive nada.
Dica cultural
E agora! Nestes tempos de bandeira do Piauí em evidência, uma dica para conhecermos mais um pouco da história da “Nossa Terra Querida”: a leitura do livro Mandu Ladino, romance de autoria do escritor Anfrísio Neto Lobão Castelo Branco.
Contate-me pelo telefone 86 99954 5023.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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