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Colunista Neile Castelo Branco
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Agenda de Flávio Bolsonaro dá visibilidade a Tiago Junqueira no Piauí

Tiago Junqueira e Toni Rodrigues têm andado Piauí afora tentando instalar diretórios.

O nome do presidente regional do PL, Tiago Junqueira, pré-candidato ao Senado, anotado na agenda do pré-candidato à Presidência da República pelo partido, Flávio Bolsonaro, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta semana, deu visibilidade midiática ao comandante da legenda no Piauí.

Foto: Divulgação/ AscomToni Rodrigues e Tiago Junqueira
Toni Rodrigues e Tiago Junqueira

Tiago Junqueira e Toni Rodrigues, pré-candidato a governador pelo PL, têm andado Piauí afora tentando instalar diretórios, conquistar correligionários e despertar o interesse do eleitorado com intenso discurso oposicionista ao governador Rafael Fonteles e ao partido ao qual o chefe do Executivo piauiense pertence, o Partido dos Trabalhadores.

O discurso oposicionista do PL

As pregações do PL, por meio de Tiago Junqueira e Toni Rodrigues, têm como base o quarto de século em que o PT, sob o comando de Wellington Dias, dá “as cartas” na política piauiense. Dizem os dois que, se o Piauí está bem administrado pelo partido da bandeira vermelha e estrela branca, que a maioria do eleitorado continue “apertando no 13”; mas, se entender que não está bem, como mostra a propaganda governamental, é só apertar no 22.

A consolidação do PT no Palácio de Karnak

O PT chegou ao Palácio de Karnak por meio de Wellington Dias, em 2022, embalado pela onda Lula e pelo apoio do então PMDB, comandado por Mão Santa, que havia sido reeleito governador, mas teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, em ação movida pelo candidato derrotado nas urnas, Hugo Napoleão, do PFL.

De lá para cá, o PT está livre, leve, solto e fagueiro, arranchado no Palácio de Karnak, sem ser ameaçado de despejo eleitoral. Ao que tudo indica, nem partido nem candidato algum conseguiram despertar, na maioria do eleitorado piauiense, a vontade de apear o PT do poder.

Pesquisas e impacto eleitoral

Os números das pesquisas de intenção de voto, divulgados na mídia, ainda não mostram que as candidaturas do PL preocupem os ocupantes do Palácio de Karnak. Informações dão conta de que, em breve, dados de pesquisas registradas no Tribunal Regional Eleitoral estarão disponíveis na imprensa. Aí, os números indicarão se o tom do discurso do PL está sendo ouvido, entendido, compreendido e gerando votos.

A influência nacional de Bolsonaro

Deverá contar a favor do PL no Piauí o desempenho do pré-candidato do partido à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Pesquisas de intenção de voto encomendadas e divulgadas pela mídia nacional nesta semana revelam que a pré-candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é uma real ameaça à reeleição do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Lula Marques/Agência BrasilFlávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro

Se a onda Bolsonaro embalar o PL no Piauí como a onda Lula embalou o autodenominado “índio” Wellington Dias, Toni Rodrigues poderá causar preocupação à turma dos “rafaboys”, liderada pelo matemático e midiático Rafael Fonteles, em intensa campanha para ser reeleito governador do Estado.

O papel do PP no cenário político

Enquanto isso, quem ameaçava torpedear a reeleição do atual governador do Piauí está na moita: o PP. O comandante do Progressistas no Brasil e no Piauí, o senador Ciro Nogueira, afirma que a legenda encomendou pesquisas para avaliar quem tem mais viabilidade eleitoral para a candidatura ao governo do Estado.

As informações da legenda indicam que os pesquisadores apresentam dois nomes aos entrevistados em todo o estado: a advogada Margarete Coelho e o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues.

Nesse compasso de espera, quando o PP divulgar o nome da pré-candidatura ao governo, poderá correr o risco de o eleitorado piauiense já estar polarizado entre o PL e o PT. Entre Lula e Bolsonaro. Entre Toni Rodrigues e Rafael Fonteles. Até parece que o intuito maior do senador Ciro Nogueira não é instalar o PP no Palácio de Karnak, mas, sim, manter a cadeira que ocupa no Senado da República.

Tensões internas no PT

O tempo passa, o tempo voa, e as equações mostram que o PT não tem controle total sobre seus filiados e filiadas, como o presidente regional da legenda, o deputado estadual Fábio Novo, pensa ter.

Foto: Lucas Dias/GP1Fábio Novo
Fábio Novo

Deputados estaduais e federais pensam e agem de forma diferente do presidente do PT piauiense. Não veem problema algum em ter prefeitos e vereadores que votam neles e declaram que vão votar na reeleição do senador Ciro Nogueira, do PP.

O deputado Fábio Novo deve concentrar seus esforços em acabar com a luta fratricida no PT, entre “criador e criatura”, cada vez mais evidente, segundo a mídia piauiense, entre o “índio” e o matemático; entre a turma do branco e a turma do vermelho.

Caso o conflito se estenda sem que o diligente presidente regional do PT o estanque o quanto antes, toda a tribo petista poderá se envolver em intensa beligerância pelo domínio da sigla, onde um único cacique dite os rumos da tribo na “terra querida, filha do sol do Equador”.

Sugestão de leitura

E, por falar em índio e em tribo, a sugestão de leitura para estes dias é o livro do historiador Paulo Henrique Couto Machado, As Trilhas da Morte: Extermínio e Espoliação das Nações Indígenas na Região da Bacia Hidrográfica Parnaibana Piauiense. A obra está disponível no formato e-book.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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