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Está fácil ser bandido


*Por Jesus Rodrigues

E está fácil ser polícia também. Vejamos pelo fato ocorrido no dia 29 de dezembro de 2014, quando três homens armados com uma espingarda e duas peixeiras entraram em minha fábrica no bairro Areias, em Teresina, e levaram tantos celulares e dinheiro quanto encontraram em posse dos empregados e na administração. Nem as moedas escaparam. Para completar, fugiram na motocicleta que estava dentro da empresa com a chave no contato. Claro, dentro da empresa, com muros de três metros e portões de ferro não precisaria ficar com a chave no bolso.
Imagem: Bárbara Rodrigues/GP1Deputado Jesus Rodrigues (Imagem:Bárbara Rodrigues/GP1)Deputado Jesus Rodrigues 
Pedi que a gerente registrasse a queixa porém não citasse meu nome para não ter nenhuma conotação política, contrária ou a favor, isto é, contrária porque era final de ano e final de um governo no qual não votei. A favor porque poderíamos ter uma atenção especial, embora não fosse mais que uma “carteirada”. Nenhuma dessas poderia ter a mínima influência, mas preferi ver como um cidadão piauiense seria tratado, independentemente de política e de autoridade.

Devo dizer que todos os empregados que foram ao 4º Distrito Policial foram recebidos com gentileza e saíram de lá com seu Boletim de Ocorrência na mão.

Em que pese a ocorrência ter sido em final de ano e final de governo, com fim de semana intercalando, mais de quinze dias se passaram e tudo ficou no simples B.O. No ato do registro, logo após o assalto, nenhuma tentativa de perseguir os bandidos. Depois, nenhuma investigação para tentar identificar os meliantes e recuperar os bens roubados. Assim, está fácil ser polícia.

Mas como pode trabalhar um policial se muitas vezes nem o sistema de registro de B.O. funciona direito? Como pode trabalhar um policial que não tem combustível ou viatura para perseguir bandidos? Que não tem laboratórios de perícia que facilitem uma investigação? E quando são tão poucos para tantos furtos, roubos, assaltos, tráficos e assassinatos? A resposta? Eu digo, ficam como estão hoje, dentro do DP esperando o próximo cidadão ou, se preferir, cliente, para fazer o próximo B.O. E as autoridades, o que diriam?

De tanto ver crescer a violência e a insegurança, o assunto foi pauta da última campanha presidencial e a candidata que saiu vitoriosa apresentou uma proposta de implantação do sistema integrado de todas as polícias que funcionou durante a copa nas cidades sub-sedes. No Piauí se fala em adesão ao sistema, mas é preciso também mudar mentalidades. Da menor patente à maior autoridade. Não é mais possível ou aceitável que as maiores autoridades da nossa segurança venham a público falar em oferecer à população sensação de segurança. Isso foi estratégia de marqueteiro para governo enganar os cidadãos de bem. Coloca-se um carro de polícia em cima de um canteiro no início de uma avenida e outro no final e o cidadão tem a sensação de estar seguro. Ok, resolvido o problema? Claro que não, os bandidos sabem que aquele veículo não tem combustível.

Autoridades policiais e governos não podem oferecer sensação de segurança; têm que oferecer segurança de fato. A estratégia tem que ser de combate ao crime e não de marketing, porque, se não for assim, vai continuar sendo fácil ser bandido, ser policial. Difícil mesmo vai continuar sendo cidadão.


*Jesus Rodrigues é deputado federal

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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