Com a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-30) marcada para novembro de 2025, o Governo Federal anunciou um orçamento de R$ 4,7 bilhões destinado a obras de infraestrutura e melhorias em Belém (PA), cidade-sede do evento.
No entanto, o elevado investimento tem gerado desconfiança. Das 30 obras previstas para serem entregues até novembro, muitas enfrentam incertezas devido às carências estruturais históricas da capital paraense e ao histórico de má execução de projetos governamentais em eventos de grande porte.
A experiência dos governos Lula e Dilma com as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, e a Copa do Mundo de 2014 ainda ecoa como um alerta. Na época, diversos projetos foram marcados por atrasos, abandono e a criação de "elefantes brancos", como a Arena da Amazônia, em Manaus (AM). Além disso, obras de mobilidade urbana e infraestrutura prometidas não foram concluídas, prejudicando o legado esperado para as cidades-sede.
Para a COP-30, os recursos virão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Itaipu Binacional e do Orçamento Geral da União de 2025, que ainda aguarda votação no Congresso Nacional. Apesar de um orçamento previsto de R$ 1 bilhão para o evento, até o início deste ano o governo Lula havia empenhado apenas R$ 60 milhões.
Outro ponto de preocupação é a falta de estrutura hoteleira em Belém para receber os milhares de participantes esperados. Como alternativa, o governo planeja transformar escolas públicas em alojamentos temporários, com um custo estimado em R$ 224 milhões. A decisão levanta debates sobre o impacto nas comunidades locais e a viabilidade de atender à demanda com conforto e segurança.
Caroline Vitorino
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