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Comando Vermelho planejava comprar drone com visão noturna para vigiar o complexo da Penha, diz UOL

De acordo com as investigações, o equipamento monitoraria movimentações policiais e de grupos rivais.

Diálogos interceptados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram que integrantes do Comando Vermelho (CV) planejavam adquirir um drone com visão noturna para monitorar o Complexo da Penha. Segundo investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o equipamento seria utilizado para vigiar movimentações policiais e de grupos rivais.

As conversas, obtidas e divulgadas nesta sexta-feira (31) pelo portal UOL, mostram Washington César Braga da Silva, conhecido como “Grandão” ou “Síndico do CV”, discutindo as limitações do aparelho atualmente usado pela facção. “O meu não é noturno, não, cara. Nós temos que comprar o noturno. […] De dia, nós vamos ver limpo, mas de noite nós vamos ver escuro, tá ligado?”, diz um trecho do diálogo. O gerente-geral do tráfico na Penha, Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, confirma a intenção de comprar o equipamento.

Com base nas interceptações, a Justiça expediu mandados de prisão contra os dois. Grandão foi capturado pelas forças policiais, enquanto Gardenal segue foragido. De acordo com o inquérito, Gardenal exerce papel de chefia sobre os traficantes da região, especialmente nas aquisições de equipamentos e armamentos. Já Grandão seria responsável pela “inteligência” da facção, orientando o posicionamento estratégico dos criminosos.

O caso reacendeu o debate sobre o uso de drones, especialmente após vir à tona um projeto de lei apresentado pela deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) em abril deste ano. A proposta pretende restringir o uso de drones e aeronaves em operações policiais, proibindo que sejam utilizados como plataformas de disparo ou em ações intimidatórias. O texto prevê exceções apenas em casos de “risco iminente ou ameaça grave à ordem pública”, mediante autorização superior e comunicação ao Ministério Público.

Com a divulgação do inquérito e o avanço da Operação Contenção — que reuniu 2,5 mil policiais e resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes — parlamentares de direita voltaram a criticar a proposta da deputada. O vereador paulistano Rubinho Nunes (União-SP) publicou em rede social: “Agora sabemos o motivo do porquê de a deputada do PSOL querer proibir o uso de drones pelas forças policiais!”.

Em resposta, Talíria defendeu sua iniciativa afirmando: “A violência aérea mata inocentes. Eu luto por uma segurança que proteja vidas, não por chacinas legitimadas pelo conservadorismo.”

A Operação Contenção foi deflagrada após informações de inteligência indicarem que o Comando Vermelho realizava reuniões para articular a expansão territorial no Rio de Janeiro. Além das mortes e prisões, a ação resultou na apreensão de 93 fuzis e na intensificação do cerco policial nas comunidades controladas pela facção.

Com colaboração do repórter Leandro Soares

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