O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), estaria tentando ganhar tempo para evitar a votação do projeto que prevê anistia aos envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro. Sóstenes já conseguiu 178 das 257 assinaturas necessárias para que o requerimento de urgência comece a tramitar. Mesmo com a resistência do presidente da Câmara, o líder do PL segue coletando apoios e insiste que o assunto precisa ser deliberado pelo plenário.
Segundo Sóstenes, Hugo Motta teria orientado lideranças de partidos a não assinarem o pedido de urgência, numa tentativa de barrar o avanço da proposta. “Ele está esticando a corda do tempo e não vai resolver o problema. Esse é um assunto que o plenário precisa deliberar”, afirmou. O deputado revelou que tem feito uma mobilização individual, buscando apoio de cada parlamentar, em um trabalho que classificou como "formiguinha".
A relação entre Sóstenes e o presidente da Câmara apresentou sinais de desgaste nos últimos dias. O deputado relatou dificuldade em ser recebido por Hugo Motta para tratar da pauta. Ele contou que só conseguiu uma reunião com o presidente na quarta-feira (2), às 23h, após diversas tentativas. No encontro, Motta não se comprometeu com a proposta e evitou defendê-la no colégio de líderes. Enquanto isso, o presidente da Câmara comparecia a eventos ao lado de ministros do Supremo Tribunal Federal, como Flávio Dino e Alexandre de Moraes.
Dentro da Câmara, a proposta de anistia não encontra apoio unânime nem mesmo entre partidos de oposição. O Progressistas (PP), presidido pelo senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, está dividido. O líder do partido na Câmara, Doutor Luizinho (PP-RJ), declarou que, apesar de o tema ter apelo político, não considera que ele se enquadre nas atribuições constitucionais do Parlamento. “A pauta tem apelo político, mas entendemos que extrapola nossa função constitucional”, afirmou.
Doutor Luizinho também criticou a falta de articulação do líder do PL na condução da proposta. Segundo ele, não houve diálogo prévio com o PP, o que dificultou a adesão dos parlamentares à iniciativa. “Tinha de ter nos procurado antes”, disse o deputado.
Davi Fernandes
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