Ao longo de sua vida, a jovem Vitória Chaves da Silva, de 26 anos, passou por três transplantes de coração e um de rim. Recentemente, ela esteve internada no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde faleceu no dia 28 de fevereiro.
No tempo em que estave na unidade de saúde, duas estudantes de Medicina, Gabrielli Farias de Souza e Thaís Caldeiras Soares Foffano, publicaram no Tiktok um vídeo em que expuseram o caso da jovem e os procedimentos cirúrgicos a que ela foi submetida. Em um momento, elas insinuam que o transplante não deu certo porque a paciente não tomou a medicação necessária, e chegam a debochar: “Essa menina tá achando que tem sete vidas”.
O registro, com mais de 200 mil visualizações, gerou revolta entre os familiares de Vitória Chaves, especialmente a mãe, Cláudia Aparecida da Rocha Chaves, que em entrevista ao Metrópoles relembrou a força da jovem na luta pela vida. “A gente sabia o quanto ela lutava para viver, né? Tanto é que tem um monte de ofício na Promotoria da gente pedindo ajuda com medicação, com passagem para vir no tratamento. Ela nunca faltou uma consulta sequer, né? E minha filha tinha sede de vida. Tudo o que ela queria era viver”, relatou Cláudia.
Boletim de ocorrência
Ela registrou um boletim de ocorrência contra as duas estudantes junto à Polícia Civil de São Paulo. A família pede que Gabrielli Farias e Thaís Caldeiras se retratem publicamente, assim como expuseram o caso da jovem. Segundo Cláudia, Vitória foi diagnosticada com anomalia de Ebstein, defeito cardíaco raro e sem cura, no sétimo mês de gestação. A previsão dos médicos era que ela não iria sobreviver aos 15 dias de vida, mas, contrariando o que a ciência pensava, a jovem sobreviveu.
Aos 2 anos, passou por uma cirurgia para reparação de uma válvula cardíaca e, aos 6 anos, foi diagnosticada com a necessidade de um transplante de coração. O procedimento foi realizado após quatro meses na fila de espera, em 5 de março de 2005. No entanto, 11 anos depois, foi internada com um problema renal e chegou a ser submetida a hemodiálise. Porém, os médicos indicaram que Vitória precisaria passar pelo segundo transplante.
O procedimento, mais delicado, foi realizado ainda em 2016. Ela teve 10 episódios de rejeição do órgão transplantado. Exames feitos em São Paulo mostraram que Vitória Chaves precisaria do terceiro transplante, realizado em 2023. Enquanto ela aguardava a terceira doação, afirmou que tinha o sonho de ser médica.
Carolina Matta
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