Nessa quarta-feira (25), a ministra Cármen Lúcia classificou, em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), os ataques verbais contra mulheres como “discurso de ódia”.
Na ocasião, a ministra falava sobre a banalização de “ataques misóginos”, ainda mais em debates sobre a responsabilidade das plataformas digitais na exclusão de conteúdos ofensivos.
De acordo com a ministra, muitas mulheres do Judiciário e da política estão sendo levadas à autocensura pela repetição desse tipo de agressão. Ela também alertou para o fato de que, quando o posicionamento político se transforma em “ataques sexistas e desmoralizantes”, o impacto é ainda maior.
“Vossa excelência fala em direito de criticar. Direito de criticar eu acho que tem. Direito de vaiar tem. Direito de aplaudir nós também temos. Direito de xingar, e aí eu falo de cátedra, porque mais xingada do que nós somos, e nós mulheres não passamos por discurso de ódio, como eu tenho insistido, é discurso de ‘ódia’. Contra nós, é misógino, sexista, desmoralizante, detona, a gente passa a exercer uma autocensura, como nós vimos nas eleições”, disse Cármen Lúcia.
A ministra foi chamada de “Bruxa de Blair” pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em 2022, após votar a favor da punição da emissora Jovem Pan por declarações que considerou ofensivas a Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato à Presidência da República.
No registro, divulgado pela ex-deputada Cristiane Brasil, Jefferson também a comparava a “prostitutas”.
Alice Gabrielly
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