O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reagiu nesta quarta-feira (16) a uma investida comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. Após o anúncio de uma investigação liderada pelo presidente americano, Donald Trump, sobre supostas práticas desleais no comércio brasileiro (entre elas o uso do Pix), Alckmin saiu em defesa do sistema de pagamentos instantâneos e classificou a medida como injustificada. “O Pix é um sucesso”, afirmou Alckmin, ao falar com jornalistas após reunião com a Câmara de Comércio Americana (Amcham), em Brasília.
A investigação americana é mais um desdobramento da escalada de "tensão comercial" entre os dois países, iniciada com o anúncio de uma tarifa de até 50% sobre todos os produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Segundo o governo dos EUA, o comércio do Brasil adota medidas “injustificáveis, irracionais ou discriminatórias”.
Alckmin, no entanto, rebateu os argumentos com uma série de dados e avanços recentes do país. Ele citou os esforços na agenda ambiental, como a queda no desmatamento, a meta de desmatamento ilegal zero e políticas de transição energética. Destacou ainda conquistas como a criação do mercado regulado de carbono, a aprovação da Lei do Combustível do Futuro e o avanço no uso de biocombustíveis, com entrada em vigor em agosto das novas misturas de etanol (30%) e biodiesel (15%).
“O mundo não tem isso. Nossa energia elétrica é 85% renovável. Questionaram o desmatamento? Está em queda. Somos um exemplo com a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin também lembrou que o tempo de registro de propriedade intelectual no Brasil tem sido reduzido, de sete anos para quatro, com previsão de chegar ao padrão internacional de dois anos até 2026. Ao fim da declaração, o vice-presidente pediu racionalidade nas relações comerciais e criticou a elevação das tarifas americanas: "Precisamos resolver a questão tarifária, porque não se justifica neste patamar. É um perde-perde. Não pode o interesse de alguns se contrapor ao coletivo, de todos”, disse. “Decisões políticas não podem interferir em medidas tarifárias".
Izabella Furtado
Ver todos os comentários | 0 |