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Governo Lula firma novos acordos econômicos e aproxima Brasil de China e Rússia

Os documentos estabelecem mecanismos permanentes de diálogo e atuação conjunta em fóruns multilaterais.

O Ministério da Fazenda oficializou, nesta segunda-feira (11), dois memorandos de entendimento que ampliam a cooperação econômica e financeira do Brasil com Rússia e China. Os documentos estabelecem mecanismos permanentes de diálogo e reforçam a atuação conjunta em fóruns multilaterais, como Brics e G20, além de prever avanços em infraestrutura e projetos ambientais.

O ministro Fernando Haddad assinou com o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, o documento que cria o Diálogo Econômico e Financeiro bilateral, um canal de comunicação estável entre os ministérios. O memorando estabelece sete áreas prioritárias de cooperação: políticas macroeconômicas, enfrentamento de desafios e reformas, cooperação tributária, financiamento de infraestrutura, novas oportunidades bilaterais, atuação conjunta em fóruns multilaterais e outros temas de interesse mútuo. O texto não impõe obrigações jurídicas nem compromissos financeiros, sendo que cada país arcará com seus custos e manterá sigilo das informações, salvo autorização expressa.

Foto: Ricardo Stuckert / Agência BrasilLula e Xi Jinping
Lula e Xi Jinping

No mesmo dia, Haddad e o ministro chinês das Finanças, Lan Fo’an, assinaram um novo memorando que atualiza acordos anteriores, vigentes de 2024 a maio de 2025, incorporando novas iniciativas e consolidando projetos em andamento. O Brasil incluiu na parceria a Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Plano de Transformação Ecológica e o Programa Rotas da Integração Sul-Americana. Já a China agregou sua Iniciativa Cinturão e Rota.

O entendimento com os chineses prevê ampliar projetos conjuntos, fortalecer a integração regional sustentável e reforçar a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) como principal instância de coordenação. Também enfatiza a cooperação financeira e o apoio da China ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que busca preservar biomas e deve ter destaque na COP30. Assim como no acordo com a Rússia, o documento não cria obrigações legais, apenas orienta politicamente as áreas estratégicas.

Enquanto o Brasil amplia parcerias com Moscou e Pequim, os Estados Unidos se preparam para investigar a presença chinesa no setor agrícola brasileiro. A proposta do Intelligence Authorization Act para 2026, aprovada pela Comissão de Inteligência do Senado norte-americano, prevê que a diretora nacional de inteligência, Tulsi Gabbard, apresente em até 90 dias após a promulgação da lei um relatório sobre o impacto desses investimentos na cadeia global de suprimentos e na segurança alimentar.

A investigação deverá avaliar o envolvimento do presidente chinês Xi Jinping nas negociações agrícolas com o Brasil, a participação de autoridades e empresas controladas pelo governo chinês, o número de joint ventures com empresas brasileiras e os possíveis efeitos desse controle no mercado global.

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