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Ministério Público investiga desvio de dinheiro em contratos da Prefeitura do Recife

Investigações apontam que contratos suspeitos permitiam a contratação de serviços sem licitação própria.

O Ministério Público de Pernambuco (MP-PE) deflagrou, nesta quinta-feira (14), uma operação para investigar o desvio de recursos públicos destinados à recuperação de prédios em Pernambuco. A ação tem como alvo contratos da Prefeitura do Recife, administrada por João Campos (PSB), e contou com apoio dos Ministérios Públicos de Minas Gerais e Maranhão. O valor total dos contratos investigados ultrapassa R$ 500 milhões.

As investigações apontam que contratos suspeitos permitiam a contratação de serviços sem licitação própria, além de possível execução de obras por empresas diferentes das contratadas e registro de pagamentos duplicados. O procedimento foi autorizado pela Justiça de Pernambuco e corre sob sigilo judicial.

Foto: Hélia Scheppa/PCRJoão Campos, prefeito de Recife
João Campos, prefeito de Recife

Entre as empresas investigadas está a construtora Sinarco, responsável por R$ 119 milhões em contratos com a Prefeitura do Recife. Apesar do alto valor, a empresa não possui sede nem funcionários na capital pernambucana, estando registrada em João Pinheiro, no norte de Minas Gerais. Durante a operação, foram apreendidos computadores e documentos na sede mineira da construtora.

Em nota, a Sinarco afirmou ter compromisso com a transparência e se colocou à disposição das autoridades para fornecer documentos e informações que possam auxiliar nas investigações. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o modelo investigado é conhecido como “barriga de aluguel”, no qual atas de preços em licitações permitem que empresas que não participaram da concorrência assumam contratos e executem serviços ou forneçam produtos, muitas vezes, desnecessários.

Outro ponto destacado pelos promotores é o uso de “caronas”, quando empresas aderem a atas de preços sem participar da fase inicial da licitação. Há suspeitas de que essa prática tenha permitido a contratação indevida de serviços de engenharia e resultado em pagamentos duplicados a fornecedores pela Prefeitura do Recife.

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