A Polícia Federal citou o advogado Martin De Luca, representante da Trump Media Group e da plataforma Rumble, no relatório final da investigação que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o documento, De Luca mantinha contatos frequentes com Bolsonaro, repassando orientações de comunicação, petições judiciais e pedidos de entrevistas.
O relatório indica que as interações tinham como foco a contestação de decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a ampliação de ataques contra a Corte. De Luca atua em ações protocoladas nos Estados Unidos contra o magistrado, em nome das duas empresas.
De acordo com a PF, mensagens extraídas do celular de Bolsonaro mostram que o advogado enviava documentos e sugestões de notas públicas ao ex-presidente. Em 13 de julho, Bolsonaro compartilhou com ele uma minuta de publicação sobre carta enviada por Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em que pedia revisão do texto. Em resposta, De Luca afirmou que prepararia um resumo “de como pode melhorar a comunicação do tarifaço” e, no dia seguinte, encaminhou uma petição da Trump Media e da Rumble contra Moraes, já protocolada nos EUA.
O relatório ainda registra uma mensagem em que Bolsonaro relaciona o “tarifaço” a uma “anistia/liberdade Jair Bolsonaro”. Posteriormente, durante buscas, a PF encontrou uma cópia impressa desse documento na residência do ex-presidente.
Além disso, a Polícia Federal anexou ao inquérito publicações de De Luca em redes sociais em que manifesta apoio explícito a Bolsonaro. O órgão concluiu que havia uma “convergência de interesses” entre ambos, direcionada a desgastar a imagem do Supremo Tribunal Federal e, em especial, do ministro Alexandre de Moraes.
Izabella Furtado
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