O Banco Central (BC) rejeitou, nessa quarta-feira (3), a proposta de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), pondo fim a uma negociação anunciada em março deste ano e avaliada em cerca de R$ 2 bilhões.
A decisão, tomada pela diretoria colegiada da autarquia, seguiu a recomendação do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Dias de Brito Gomes, após pouco mais de cinco meses de análise.
O negócio previa a compra, pelo BRB, de 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Banco Master. A operação já havia sido aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Governo do Distrito Federal, que autorizou a instituição brasiliense a adquirir participação em outros bancos.
Apesar dos pareceres favoráveis, o BC entendeu que a transação apresentava fragilidades e riscos relevantes e, por isso, optou pelo indeferimento.
Em comunicado, o BRB informou ter solicitado acesso ao teor completo da decisão para avaliar seus fundamentos e analisar alternativas. O documento oficial foi assinado pelo diretor-executivo de Finanças e Controladoria e diretor de Relações com Investidores, Dario Oswaldo Garcia Junior.
O banco reafirmou interesse na operação, destacando seu potencial estratégico para agregar valor ao Distrito Federal e ao Sistema Financeiro Nacional. Também garantiu que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre novos desdobramentos.
O Banco Master, por sua vez, disse aguardar a íntegra da decisão para examinar os fundamentos e possíveis recursos. A instituição destacou que segue confiante em sua estratégia e no desempenho de suas operações, que a consolidaram em um mercado altamente concentrado.
A análise do BC considerou, entre outros fatores, a redução do escopo do negócio — que encolheu de R$ 48 bilhões para aproximadamente R$ 24 bilhões — e a capacidade financeira do BRB de sustentar a nova estrutura.
Com a negativa, cresce a possibilidade de intervenção da autoridade monetária no Banco Master, que agora precisará apresentar um plano de trabalho ao BC. O BRB, sociedade de economia mista controlada pelo governo do Distrito Federal, não descarta insistir no negócio por meio de uma nova proposta.
Fundado em 1974 e transformado em banco em 1990, o Master vem ampliando sua atuação desde 2018, com destaque para operações de crédito e a plataforma digital Will Bank.
Caroline Vitorino
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