A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A ação investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, que passou por processo de liquidação extrajudicial conduzido pelo Banco Central (BC).
As investigações apuram indícios de desvio de recursos, simulação de empréstimos e negociação irregular de carteiras de crédito. O principal alvo da operação é o banqueiro Daniel Vorcaro, dono e controlador do Banco Master, que já havia sido o foco da primeira fase da investigação, quando foi preso em novembro do ano passado.
Nesta nova etapa, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a Vorcaro e a familiares, diante da suspeita de que recursos da instituição teriam sido desviados para a formação de patrimônio pessoal e de parentes. Em nota, a defesa do banqueiro afirmou que ele permanece “à disposição das autoridades”.
A PF também cumpriu mandados contra familiares de Vorcaro, incluindo o pai, uma irmã e o cunhado Fabiano Campos Zettel, fundador da Moriah Asset, fundo de investimento com atuação em empresas do setor de saúde e bem-estar. Zettel foi preso temporariamente no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. A medida teve como objetivo evitar uma possível fuga e preservar o sigilo da fase inicial da operação.
Posteriormente, Zettel foi colocado em liberdade por decisão do ministro Dias Toffoli, mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas a entrega do passaporte. A defesa afirmou que não teve acesso integral às investigações, mas ressaltou que o investigado possui atividades lícitas e está à disposição das autoridades.
Outro alvo da operação foi o empresário e investidor Nelson Tanure, conhecido por atuar em empresas em processo de recuperação ou com dificuldades financeiras, como a petroleira Prio, a rede de supermercados Dia e a incorporadora Gafisa. Ele foi alvo de buscas em razão de suspeitas de uso irregular de empréstimos ou operações realizadas por meio do Banco Master para expansão de seus negócios. A reportagem não conseguiu contato com a defesa.
A PF também cumpriu mandado contra João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos. As buscas estão relacionadas a investigações sobre possíveis vínculos com fundos e corretoras ligadas ao Banco Master. Mansur é defendido pelo advogado criminalista José Luis Oliveira Lima, que informou que seu cliente também está “à disposição das autoridades”.
Davi Fernandes
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