O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investiga o crime organizado no Brasil há mais de duas décadas, comparou a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) à máfia italiana.
Em entrevista ao Estadão, publicada nesta segunda-feira (26), o promotor mencionou o assassinato de Antônio Vinícius Gritzbach, ressaltando que a facção brasileira, assim como a máfia italiana, não perdoa delatores.
“Vejo o PCC hoje muito semelhante às máfias italianas. Inclusive o modus operandi, o próprio assassinato do Antônio Vinícius Gritzbach, que era um réu colaborador meu aqui do Ministério Público, fui eu que o trouxe para fazer colaboração, isso demonstra a omertà, que é o código do silêncio (associado às máfias). O PCC não aceita, por exemplo, delator, seja ele colaborador, não integrante ou integrante. A pena para isso é a morte, o que é muito semelhante ao que ocorre nas máfias italianas”, declarou a autoridade do Ministério Público.
Gakiya afirmou que o PCC elevou o patamar e seu domínio não se restringe mais a territórios. Segundo ele, a facção ampliou sua influência e hoje está inserida em estruturas maiores, a exemplo do grande esquema de lavagem de dinheiro desbaratado pela Operação Carbono Oculto.
“O PCC hoje, como se tornou hegemônico, principalmente aqui no Estado de São Paulo, não tem mais aquela preocupação em proteger o seu território, que já é dele. Então, eles passaram a otimizar o seu tempo e os recursos para uma lavagem de dinheiro estruturada, que começou, primeiro, com a compra de automóveis, de imóveis e empresas de fachada. E isso evoluiu principalmente quando o PCC entrou no mercado de tráfico internacional de cocaína para a Europa, praticamente dominando toda a cadeia, desde a compra ou mesmo a produção (em países vizinhos), até o transporte e a remessa dessa droga, através de vários modais. E sempre associado com máfias europeias, principalmente com as máfias italianas”, completou o promotor de Justiça.
Lincoln Gakiya lançou um livro escrito em parceria com o advogado Walfrido Warde, intitulado Segurança Pública: O Brasil livre das máfias.
Thais Guimarães
Ver todos os comentários | 0 |