O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu nesta sexta-feira (30) a afirmação do aliado Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, de que ele não poderia ser submisso ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por gratidão à trajetória política que o ajudou a construir. A crítica foi feita na véspera, quando o dirigente partidário afirmou que Tarcísio precisa construir uma identidade própria, tanto para governar o estado quanto para voos políticos mais altos.
Tarcísio visitou Bolsonaro na “Papudinha”, na manhã de quinta-feira (29), ocasião em que reafirmou a intenção de concorrer à reeleição ao governo paulista e de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na candidatura à Presidência da República.
“Absolutamente nada a ver com submissão. [...] É fácil você ficar do lado quando a pessoa está bem. Difícil — e às vezes isso não existe muito na política — é estender a mão quando a pessoa está na pior, quando precisa da sua ajuda, quando perdeu o poder e quando está privada da sua liberdade”, afirmou Tarcísio durante um evento em São Paulo.
O governador minimizou a fala de Kassab, dizendo que o presidente do PSD tem “opiniões próprias” e se manifesta como dirigente partidário.
“Ele é um dirigente nacional importante e fala como dirigente nacional dentro daquilo em que acredita. [...] É uma pessoa que tem suas opiniões próprias, e não há problema nenhum nisso”, completou.
Tarcísio também afirmou manter uma “relação muito próxima” com Bolsonaro e avaliou haver um “alinhamento absoluto e total” entre a estratégia de sua campanha em São Paulo e o PL.
Na véspera, Gilberto Kassab — que ocupa o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo — afirmou que Tarcísio ganhou projeção nacional com o apoio de Bolsonaro, mas precisa deixar claro que não governa sob tutela política.
“[Tarcísio] tem que estar sempre mostrando qual foi a importância do ex-presidente Bolsonaro na sua carreira e na sua eleição como governador. Mas é fundamental que ele tenha identidade própria. Uma coisa é gratidão, reconhecimento e lealdade; outra é submissão”, disse Kassab em entrevista ao UOL.
A declaração foi feita dois dias após Kassab filiar ao PSD o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que deixou o União Brasil com o objetivo de se viabilizar como candidato à Presidência da República. O movimento foi interpretado como um distanciamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por Jair Bolsonaro como possível representante da direita na disputa nacional.
Além de Caiado, o PSD reúne outros governadores cotados como pré-candidatos, como Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná. Kassab já indicou que o partido apoiará aquele que apresentar melhor desempenho nas pesquisas, com a estratégia de oferecer uma alternativa de centro-direita à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados de Bolsonaro.
Carolina Matta
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