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Veja os diálogos dos ministros do STF em reunião que afastou Dias Toffoli do caso Master

Segundo o Poder360, a maioria dos magistrados se posicionou pela permanência de Toffoli.

Os dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) participaram, na quinta-feira (12), de uma reunião reservada para discutir os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master e integrantes da própria Corte. De acordo com informações divulgadas pelo portal Poder360, a maioria dos magistrados se posicionou pela permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do processo: oito votos favoráveis e dois contrários.

O centro da discussão foi um relatório de aproximadamente 200 páginas elaborado pela Polícia Federal. O documento embasaria um pedido de suspeição contra Toffoli no processo relacionado ao Banco Master, instituição liquidada em novembro de 2025 após um rombo estimado em R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Foto: Luiz Silveira/STFMinistros do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)

Segundo a reportagem, por sugestão do ministro Flávio Dino, amigo pessoal de Toffoli há mais de duas décadas, os ministros concordaram em divulgar uma nota de apoio ao colega. Em contrapartida, Toffoli decidiu deixar a relatoria, permitindo a redistribuição do caso, que passou ao ministro André Mendonça.

Entre os ministros favoráveis à permanência de Toffoli estavam Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques, além do próprio Toffoli. Já Cármen Lúcia e Edson Fachin se posicionaram contra.

Após o encontro, Toffoli formalizou sua saída da relatoria.

Falas dos ministros

Gilmar Mendes

O decano da Corte foi o primeiro a se manifestar após a exposição inicial de Toffoli: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar.”

Cármen Lúcia

“Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, afirmou a ministra.

Ela acrescentou que tinha “confiança” em Toffoli, mas destacou a necessidade de “pensar na institucionalidade”. Também afirmou não ter lido o relatório da PF e defendeu a realização de uma sessão extraordinária nesta sexta-feira (13) para resolver o tema antes do Carnaval, “para isso não ficar sangrando, porque não é só você [Toffoli] que sangra, é a Corte inteira”.

Luiz Fux

“O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”, declarou, em uma das intervenções mais breves da reunião.

Alexandre de Moraes

Moraes afirmou ser amigo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mas disse que votaria a favor de Toffoli. O ministro defendeu a “institucionalidade”, afirmou que a PF teria feito um “papel sujo” e sustentou que, caso houvesse investigação irregular, todo o material seria nulo.

Nunes Marques

“Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil", disse o ministro, ao argumentar que não caberia suspeição na relatoria.

"O sr. [Fachin] não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento, pois do mérito eu não tenho dúvida”, prosseguiu.

André Mendonça

O novo relator concordou com Cármen Lúcia quanto à existência de uma “crise de institucionalidade” na Corte e comentou pontos do relatório da PF: “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli e Vorcaro", ponderou.

“Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”, afirmou.

Ele concluiu: “Pode acontecer com qualquer um de nós [investida da Polícia Federal]. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim".

Cristiano Zanin

Na abertura de sua manifestação, Zanin afirmou que votaria pela permanência de Toffoli: “Sou há um ano e meio relator de um caso que envolve três ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo.”

Flávio Dino

O ministro iniciou sua fala afirmando concordar “com tudo o que foi dito”, mas fez críticas diretas ao relatório:

“Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.

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