O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da decisão em que determinou a nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ordem judicial foi cumprida nesta quarta-feira (4).
Na decisão, Mendonça detalha o teor da representação da Polícia Federal que pediu a prisão preventiva de Vorcaro e outras três pessoas, na terceira fase da Operação Compliance Zero.
A investigação da PF, que tem Mendonça como relator, aponta a existência de um esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro supostamente comandado por Vorcaro.
Segundo o relator, a liberdade dos investigados representaria “manter o funcionamento da organização criminosa, com risco concreto de destruição de provas”.
Quem são os alvos
Além de Daniel Vorcaro, foram presos o pastor Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillippi Machado de Moraes Mourão. O envolvimento entre os investigados foi evidenciado a partir de mensagens de WhatsApp retiradas do celular de Vorcaro.
Fabiano Zettel – Segundo a PF, manteve atuação direta e reiterada em apoio às atividades ilícitas de Daniel Vorcaro, participando da estrutura operacional responsável pela execução e viabilização financeira de diversas iniciativas relacionadas aos interesses do grupo investigado.
“Os elementos informativos reunidos indicam que Fabiano Campos Zettel atuava na intermediação e operacionalização de pagamentos relacionados às atividades desenvolvidas por integrantes da organização, participando da definição de mecanismos destinados a viabilizar transferências financeiras e a estruturar instrumentos contratuais utilizados para justificar tais repasses”, consta na decisão.
Marilson Roseno – Foi identificado nas investigações como integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimidação vinculada ao grupo liderado por Vorcaro. “Elementos colhidos durante a investigação indicam que o investigado integrava o grupo informalmente denominado ‘A Turma’, organização destinada à obtenção clandestina de informações sigilosas, monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo e execução de ações de intimidação voltadas a proteger os interesses do núcleo central da organização criminosa”, diz outro trecho.
Phillippi Mourão – Identificado nas mensagens analisadas como “Felipe Mourão”, e atendendo pelo apelido de “Sicário”, já indicativo da natureza de suas atividades. De acordo com os autos, ele mantinha relação direta de prestação de serviços com o dono do Banco Master, atuando como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.
A PF aponta que o esquema investigado apresenta quatro núcleos principais de atuação: núcleo financeiro; núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas; e núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de pessoas, dentre as quais, adversários concorrenciais, jornalistas, ex-funcionários e autoridades.
Thais Guimarães
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