O empresário Yan Hirano, de 51 anos, afirma ter sido vítima de um golpe que teria funcionado como um “laboratório inicial” das operações que, anos depois, dariam origem ao Banco Master. As acusações constam em um processo que tramita no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro e o gestor Benjamin Botelho. As informações são do Estadão.
Segundo Hirano, o esquema começou ainda em 2008, durante negociações relacionadas ao Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, uma obra viária na Baixada Fluminense. O empresário afirma que adquiriu cerca de 1,5 milhão de metros quadrados em áreas estratégicas da região, apostando na valorização imobiliária com o avanço da obra.
De acordo com o processo, em 2010, Botelho teria proposto a incorporação dos terrenos ao fundo imobiliário Aquilla, administrado pela gestora Sefer. Em troca, Hirano se tornaria cotista relevante e participaria dos ganhos futuros com a valorização e exploração dos imóveis.
No entanto, o empresário sustenta que, após assumir a gestão dos ativos, os envolvidos teriam promovido uma série de transações que inflaram artificialmente o valor dos terrenos. Segundo ele, os imóveis foram revendidos dentro de estruturas ligadas ao grupo e acabaram incorporados ao Banco Máxima — instituição que deu origem ao Banco Master — com valores muito superiores aos iniciais.
Hirano afirma ter sofrido um prejuízo estimado em R$ 60 milhões, que pode chegar a R$ 180 milhões com correções. Ele relata ainda que, ao cobrar o retorno prometido, passou a ser ignorado e recebeu propostas de ressarcimento por meio de empresas ligadas a Vorcaro, incluindo ofertas de imóveis e participações em empreendimentos que acabaram não sendo concluídos.
O processo também aponta tentativas posteriores de quitação da dívida com ativos vinculados ao próprio banco, o que, segundo os advogados do empresário, indicaria manobras para justificar ganhos fictícios e mascarar prejuízos com ativos superavaliados.
Procurada, a gestora Sefer afirmou que suas operações seguem a legislação do mercado de capitais e são lícitas. A defesa de Vorcaro não se manifestou.
O caso se conecta ainda a investigações anteriores, como a Operação Fundo Fake, que apurou possíveis fraudes envolvendo fundos de pensão e o fundo Aquilla. Embora o inquérito tenha sido arquivado, ele apontou movimentações financeiras suspeitas, incluindo repasses a pessoas físicas e empresas ligadas ao esquema.
Hirano também chegou a ser citado em apurações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas nega irregularidades. Ele afirma que todos os valores recebidos foram referentes à venda de terrenos e que parte significativa foi convertida em cotas do fundo — justamente o investimento que, segundo ele, acabou se transformando em prejuízo.
“Entrei em um castelo de cartas. Achei que ficaria rico, mas perdi meu investimento”, declarou o empresário.
Wanessa Gommes
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