A Itália decidiu interromper a renovação automática do memorando de cooperação com Israel na área de defesa, em meio ao que classificou como a “situação atual” no Oriente Médio. O anúncio foi feito nesta terça-feira (14) pela primeira-ministra Giorgia Meloni. “Em consideração à situação atual, o governo decidiu suspender a renovação automática do acordo sobre defesa com Israel”, declarou a mandatária durante o fórum de vinhos Vinitaly, realizado na cidade de Verona, no norte do país.
O memorando de entendimento entre os dois países, voltado à cooperação militar e de defesa, é o principal instrumento de parceria bilateral nesse campo e prevê renovação automática a cada cinco anos. O acordo passou a valer em 13 de abril de 2016 e, desde então, vinha sendo prorrogado de forma quinquenal. A partir de agora, no entanto, a extensão deixará de ser automática e passará a ser analisada caso a caso.
O artigo nono do documento estabelece que a renovação ocorre “desde que nenhuma das partes” manifeste oposição. De acordo com a imprensa local, a decisão já foi comunicada pelo ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, ao seu homólogo israelense, Israel Katz.
Meloni tem adotado um tom crítico em relação ao governo de Israel diante da guerra na região. Em declarações anteriores sobre o conflito contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza, ela afirmou que “a resposta militar” aos ataques de 7 de outubro de 2023 ultrapassou “qualquer princípio de proporcionalidade”.
A crítica mais recente do governo italiano ocorreu na semana passada, quando Roma cobrou esclarecimentos após relatos de que as Forças de Defesa de Israel teriam atirado contra um comboio italiano ligado à missão de paz das Nações Unidas no Líbano (Finul).
Em março, o governo italiano também recusou autorização para que aeronaves militares dos Estados Unidos utilizassem a base aérea de Sigonella, na Sicília, antes de seguirem para o Oriente Médio em meio à escalada envolvendo o Irã.
Outro atrito diplomático surgiu nesta segunda-feira (13), quando Meloni criticou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigidas ao papa Leão XIV, após o pontífice defender o fim do conflito com o Irã.
“Considero inaceitáveis as declarações do presidente Trump sobre o Santo Padre”, disse Meloni em comunicado. “O papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e apropriado que ele peça paz e condene todas as formas de guerra.”
Nesta terça-feira, a primeira-ministra voltou a destacar que mantém independência mesmo em relação a parceiros estratégicos. “Quando se tem amigos ou aliados, particularmente se são estratégicos, é preciso também ter a coragem de dizer quando não se está de acordo. E isso é o que faço todos os dias: quando concordo, eu digo, assim como quando não concordo”, afirmou.
Leandro Soares
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