O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rejeitou o pedido de prorrogação por mais 60 dias da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. A informação foi divulgada pelo relator do colegiado, o senador Alessandro Vieira, nesta terça-feira (7).
Segundo Vieira, a negativa foi justificada por Alcolumbre com base nos possíveis impactos que a continuidade da comissão poderia gerar em um ano eleitoral.
Instalada em 4 de novembro de 2025, a CPI tem prazo de funcionamento até o dia 14 de abril, quando o relator deverá apresentar e ler o relatório final. Apesar da decisão, Alessandro Vieira afirmou que concluirá os trabalhos dentro do prazo estabelecido.
O senador havia protocolado o pedido de prorrogação na segunda-feira (6), reunindo 28 assinaturas — uma a mais que o mínimo exigido no Senado Federal, que é de 27 parlamentares, equivalente a um terço da Casa.
Vieira argumentou que ainda seria necessário aprofundar investigações, incluindo a oitiva de governadores e secretários de Segurança Pública de diferentes estados. Segundo ele, há indícios de que o crime organizado atua com estruturas sofisticadas, semelhantes a corporações transnacionais, com redes complexas de lavagem de dinheiro e influência em diferentes esferas.
A decisão de Alcolumbre segue a mesma linha adotada recentemente em relação à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que também não teve o prazo prorrogado e encerrou os trabalhos sem aprovação de relatório final.
Depoimento no último dia
Entre os últimos atos da CPI, está previsto o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Ele foi convocado para falar sobre a atuação do crime organizado no estado, especialmente em relação a uma operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 120 mortos.
Inicialmente esperado para esta semana, o depoimento foi solicitado para o dia 14 de abril, último dia de funcionamento da comissão.
Wanessa Gommes
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