O Governo Lula projeta um rombo de R$ 7,5 bilhões nas empresas estatais em 2027, conforme previsto no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 enviado ao Congresso Nacional. Para evitar que o resultado negativo comprometa o cumprimento das metas fiscais, a equipe econômica incluiu no texto mecanismos que permitem desconsiderar parte desse prejuízo no cálculo final.
A proposta cria uma espécie de “colchão” financeiro, autorizando a exclusão de até R$ 10 bilhões em despesas do resultado primário. A medida beneficia principalmente estatais em processo de reestruturação e gastos vinculados ao Novo PAC. Na prática, o governo retira o impacto desses déficits do balanço oficial da União, garantindo maior flexibilidade orçamentária.
Correios no centro da crise
Entre as estatais, os Correios aparecem como principal foco de preocupação fiscal. A empresa registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e já admite que não deve voltar ao lucro antes de 2028.
O novo mecanismo previsto no PLDO permite que eventuais aportes do Tesouro Nacional para socorrer a estatal fiquem fora das regras do arcabouço fiscal. O governo reconhece o risco de queda na arrecadação de dividendos e a necessidade de injeções emergenciais de recursos, mas aposta na flexibilização para manter o funcionamento da empresa sem pressionar diretamente as metas.
Déficit em trajetória de alta
Os dados indicam uma deterioração nas contas das estatais. Em 2024, o déficit foi de R$ 6,7 bilhões. Já em 2026, o rombo acumulado chega a R$ 5,9 bilhões, superando o resultado negativo de todo o ano anterior antes mesmo do fechamento do exercício.
Esse cenário contrasta com períodos recentes em que as empresas públicas apresentavam resultados mais equilibrados, reforçando o alerta sobre a sustentabilidade fiscal dessas companhias.
Estratégia para proteger a meta fiscal
A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelece as bases do orçamento anual, incluindo parâmetros como salário mínimo, inflação e juros. Ao isolar parte do prejuízo das estatais, o governo busca preservar a meta fiscal de 2027 e evitar impactos na execução de outras despesas federais.
A estratégia repete práticas adotadas em anos anteriores, priorizando o curto prazo. Apesar de dar fôlego ao Executivo, o modelo mantém a fragilidade das contas públicas sob vigilância de investidores e do Legislativo, que acompanham com cautela a evolução do cenário fiscal.
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