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PF investiga pagamentos de R$ 1,8 milhão com cartão de Daniel Vorcaro a Ciro Nogueira

A investigação busca esclarecer se os gastos, que somam R$ 1,8 milhão, foram custeados por Vorcaro.

A Polícia Federal (PF) apura pagamentos realizados com cartão de crédito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, durante uma viagem do senador Ciro Nogueira e sua esposa à estação de esqui Courchevel, nos Alpes franceses. A investigação busca esclarecer se os gastos, que somam cerca de R$ 1,8 milhão, teriam sido custeados pelo empresário.

Segundo mensagens analisadas pela PF, há indícios de autorização para que despesas identificadas como sendo do casal — citado em registros como “Ciro e Flávia” — fossem pagas nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025.

Foto: Lucas Dias/GP1Senador Ciro Nogueira
Senador Ciro Nogueira

Em um dos diálogos, um interlocutor questiona Vorcaro: “É para os meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”

O ex-banqueiro teria respondido de forma afirmativa e orientado que o cartão fosse posteriormente encaminhado para Saint Barthélemy, no Caribe.

Gastos em restaurantes e cruzamento de dados

A partir dessas mensagens, a PF identificou pagamentos em restaurantes de Courchevel, como o La Soucupe, no valor de R$ 63,6 mil, e o Le Tremplin, de R$ 58,5 mil. Ao cruzar os registros com a fatura do cartão, os investigadores concluíram que Vorcaro teria arcado com ao menos R$ 122,1 mil em despesas diretamente associadas ao casal.

A análise completa da fatura, no entanto, indica que os gastos totais na estação de esqui alcançaram R$ 1,8 milhão, considerando a cotação do euro em janeiro de 2025. A PF ainda investiga se a totalidade desse montante corresponde às despesas do senador e de sua esposa.

Courchevel é conhecida por concentrar hotéis, restaurantes e serviços de alto padrão, frequentemente associados a turismo de luxo.

Outras viagens sob análise

De acordo com a PF, despesas internacionais atribuídas a Vorcaro em benefício de Ciro Nogueira ainda estão em fase de apuração. Em viagens anteriores a Lisboa, Paris e Nova York, os gastos já ultrapassariam R$ 500 mil, segundo estimativa considerada “conservadora” pelos investigadores.

Entre os registros analisados estão pagamentos com jatos particulares, hospedagens em hotéis de alto padrão e refeições em restaurantes de luxo.

Em um levantamento parcial, a PF aponta que o senador teria recebido “benefício econômico direto” de pelo menos R$ 468,7 mil, considerando diárias de até R$ 24 mil em hotéis em cidades como Nova York e Lisboa, além de despesas em restaurantes na Europa.

As investigações seguem em andamento e buscam detalhar a origem, a finalidade e eventual vínculo entre os pagamentos realizados e os investigados.

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