Fechar
GP1

Brasil

Delegado preso por corrupção é acusado de usar PCC para coagir vítima em Roraima

Acusações incluem abuso de autoridade, peculato, falsidade ideológica e constrangimento.

O Ministério Público de Roraima (MPRR) apresentou duas denúncias criminais contra o delegado da Polícia Civil, Rick da Silva e Silva. As acusações relatam uma sequência de supostas irregularidades praticadas ao longo de 2025, envolvendo crimes como abuso de autoridade, peculato, falsidade ideológica e constrangimento de pessoas sob custódia. Os documentos detalham episódios distintos que, segundo o órgão ministerial, demonstram condutas incompatíveis com o exercício da função pública e que agora são alvo de análise da Justiça.

Uma das denúncias faz referência a um episódio ocorrido em 13 de agosto de 2025, quando o delegado se dirigiu a uma residência no bairro Nova Vitória, em Rorainópolis, acompanhado de outros três policiais civis. O grupo buscava localizar um aparelho de som que teria sido furtado. O proprietário do imóvel, entretanto, afirmou não possuir o equipamento. Conforme a denúncia, mesmo sem mandado judicial e sem uma situação de flagrante que autorizasse a medida, Rick teria tentado ingressar na residência. Imagens registradas pela esposa do morador mostram o homem trancado dentro da casa enquanto o delegado faz ameaças na tentativa de permitir a entrada dos agentes. Em determinado momento, ele afirma: “Já pedi o mandado de busca e apreensão e também sua prisão, tá?”, em tom elevado.

Foto: DivulgaçãoDelegado da Polícia Civil Rick da Silva e Silva
Delegado da Polícia Civil Rick da Silva e Silva

O documento também registra outras declarações atribuídas ao policial durante a ocorrência. Entre elas está a frase: “Eu vou arrombar essa casa aí amanhã, tu vai ver. Vou te pegar”. Para o Ministério Público, as circunstâncias descritas apontam para uma possível tentativa de ingresso irregular no imóvel e configurariam abuso de autoridade. O caso passou a integrar uma das ações apresentadas pelo órgão, que sustenta ter identificado elementos suficientes para a formalização da denúncia.

Outra acusação envolve uma operação de busca e apreensão realizada em 24 de março. De acordo com o Ministério Público, medicamentos encontrados na residência dos investigados, entre eles ampolas de Deposteron e canetas de GH, teriam sido retirados pelo delegado e destinados ao seu uso pessoal. A denúncia afirma ainda que ele teria determinado a uma escrivã que deixasse de registrar os itens no auto de apreensão, circunstância que pode caracterizar falsificação de documento público. Segundo o órgão, a omissão dos materiais comprometeria a regularidade do procedimento policial.

Os documentos também relatam um suposto episódio de pressão psicológica contra uma mulher para que ela prestasse declarações contra o próprio marido. Conforme a acusação, o delegado teria criado uma narrativa envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), alegando que a organização criminosa estaria planejando atacar os filhos do casal. A informação teria sido utilizada como forma de coação para influenciar o depoimento da vítima. O relato descreve que a mulher estava “chorando muito” e chegava a “botar a mão nos ouvidos para tapá-los” diante da insistência e da pressão exercida durante a abordagem.

Ainda segundo o Ministério Público, o marido da mulher foi interrogado por volta de 00h40, durante a madrugada, sem que houvesse situação de flagrante e sem o devido consentimento, o que, na avaliação dos promotores, também representa uma possível violação da legislação relacionada ao abuso de autoridade. As duas denúncias apontam a prática simultânea de diferentes crimes, incluindo peculato, falsidade ideológica, constrangimento de preso e abuso de autoridade. Em uma das ações, o órgão destaca ainda a ocorrência de concurso material, quando mais de uma infração penal é atribuída ao mesmo investigado.

Ao prestar depoimento, Rick da Silva e Silva confirmou ter pronunciado as frases registradas em vídeo, mas argumentou que as declarações ocorreram durante uma discussão. O delegado negou qualquer tentativa de invasão ilegal da residência e contestou as acusações relacionadas à sua atuação. Apesar da defesa apresentada, os fatos seguem sob análise das autoridades competentes.

Preso desde 14 de abril deste ano, Rick da Silva e Silva também responde a outras investigações em Roraima. Em um processo distinto, a Justiça determinou seu afastamento das funções por 180 dias. A decisão menciona suspeitas de que a Delegacia de Rorainópolis teria sido utilizada como um suposto “balcão de negócios”, com cobranças de propina e favorecimento a uma advogada específica. Conforme a investigação, alguns detidos eram encaminhados para essa profissional e os valores pagos pelos serviços seriam posteriormente divididos em dinheiro entre os envolvidos.

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.