A contagem dos votos do segundo turno das eleições presidenciais do Peru, realizado no último dia (07), confirmou na madrugada desta quarta-feira (24) a vitória da candidata conservadora Keiko Fujimori. Com 99,8% das atas eleitorais processadas, Fujimori alcançou 50,11% dos votos válidos, enquanto o candidato de esquerda Roberto Sánchez somou 49,88%. A vantagem da conservadora gira em torno de 43 mil votos.
A disputa presidencial foi marcada por uma série de controvérsias. Os resultados oficiais do primeiro turno levaram mais de um mês para serem divulgados devido a problemas que culminaram na renúncia e prisão de integrantes do órgão eleitoral peruano, além da necessidade de recontagem de atas e de uma determinação da Justiça Eleitoral para auditar os sistemas digitais utilizados no pleito.
No segundo turno, o cenário também foi de instabilidade. Mais de 1,6 mil atas eleitorais precisaram passar por revisão após a identificação de inconsistências, incluindo falhas em assinaturas e divergências matemáticas. Paralelamente, setores da esquerda tentaram anular votos registrados no exterior, onde Fujimori obteve desempenho superior, mas a iniciativa não prosperou.
Antes mesmo da confirmação matemática do resultado, integrantes da campanha de Roberto Sánchez já sinalizavam que não reconheceriam a vitória da adversária.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, Keiko chega à Presidência na quarta tentativa. Ela havia sido derrotada nas disputas de 2011, 2016 e 2021, todas decididas em segundo turno. A eleição de Fujimori, somada ao triunfo de Abelardo de la Espriella na Colômbia no último domingo (21), altera o cenário político sul-americano e fortalece a presença de governos alinhados à direita na região.
Quando Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu terceiro mandato no Brasil, em 2023, a América do Sul contava com oito governos identificados com a esquerda, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Guiana, Suriname e Venezuela, e quatro alinhados à direita: Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.
Três anos e meio depois, o quadro se modificou. Com as vitórias de Espriella e Fujimori, o continente passa a registrar sete governos de direita, Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru e cinco de esquerda, Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e Uruguai.
Leandro Soares
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