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Mais de 40 bairros de Fortaleza tiveram moradores expulsos por facções criminosas, diz relatório

A informação consta em um documento elaborado pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado.

Entre 1º de janeiro de 2024 e 30 de setembro de 2025, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) registrou 219 casos em que facções criminosas expulsaram moradores de suas casas no Ceará. Na capital Fortaleza, foram contabilizados 143 eventos, distribuídos em 49 bairros.

A informação consta no Relatório Técnico nº 224/2025/DRCO/PCCE, elaborado pelo Núcleo de Inteligência Policial (Nuip), do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil do Ceará (PC-CE). Trata-se da primeira divulgação oficial de um indicador que contabiliza casos de expulsão de moradores no Estado.

Segundo o relatório, a maioria das expulsões ocorreu em Fortaleza e em municípios da Região Metropolitana, mas também houve registros no interior, como Quixadá (Sertão Central) e Sobral (Região Norte). Os bairros mais afetados da capital cearense foram Ancuri e José Walter, com 16 casos cada, seguidos por Vicente Pinzón (15), Jangurussu (8), Barra do Ceará (7), Papicu (7) e Canindezinho (6).

Fora de Fortaleza, Maranguape lidera o ranking na Região Metropolitana em número de expulsões. Outros municípios com registros de deslocamentos forçados incluem: Maracanaú (16), Caucaia (15), Sobral (7), Pacatuba (2), Quixadá (2) e Cascavel (1).

O relatório também analisa o contexto dessas expulsões, ligando o fenômeno ao conflito entre facções criminosas. Nos últimos meses, houve um aumento expressivo de deslocamentos, principalmente nas periferias de Fortaleza. Segundo o DRCO, a expansão das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) em áreas estratégicas teria intensificado as ações.

Em 15 de setembro, o Comando Vermelho anunciou sua presença em territórios como o Vicente Pinzón e a comunidade do Lagamar, celebrando com queima de fogos em diversos pontos da Região Metropolitana. Um dia depois, os Guardiões do Estado realizaram foguetório para indicar que a facção cearense passaria a integrar o Terceiro Comando Puro.

Essas movimentações resultaram em expulsões de moradores suspeitos de vínculos com facções rivais, seja por terem familiares em grupos criminosos ou por residirem em áreas dominadas por rivais. O DRCO aponta que a principal motivação é o controle territorial, permitindo a exploração de atividades legais e ilegais, como tráfico de drogas e cobrança de “pedágios” a comerciantes locais. O relatório ainda destaca os impactos profundos dessas expulsões na vida das vítimas.

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