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Economia e Negócios

Preço da gasolina nos postos sobe 37,1% em 3 anos

O aumento é atribuído a fatores como impostos, custos logísticos, dinâmica regional e revenda.

Apesar de reduções promovidas pela Petrobras nas refinarias desde o fim de 2022, o preço da gasolina para o consumidor final registrou uma alta nos postos, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O aumento é atribuído a fatores como impostos, custos logísticos, dinâmica regional e margens de distribuição e revenda.

Desde dezembro de 2022, a Petrobras reduziu em 16,4% o preço da gasolina vendida às distribuidoras, com o litro passando de R$ 3,08 para R$ 2,57 nas refinarias. No período, foram realizados 11 reajustes – oito reduções e três aumentos – sendo o corte mais recente anunciado na semana passada, de R$ 0,14 (-5,17%).

Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilBomba de gasolina
Bomba de gasolina

O litro chegou a R$ 9,29

Apesar disso, o valor médio pago pelos motoristas subiu 37,1%, passando de R$ 4,98 para R$ 6,33 por litro nos postos. Com a alta acumulada de R$ 1,35, o custo para encher um tanque de 50 litros aumentou R$ 67,50 em cerca de três anos. Em algumas regiões do país, o preço é ainda mais elevado: na última semana, o litro chegou a R$ 9,29 em postos de Barueri e Guarujá, em São Paulo.

De acordo com a composição do preço final da gasolina, a Petrobras responde por 28,4% do valor nas bombas. O restante inclui etanol anidro (16,4%), impostos federais (10,7%), ICMS estadual (24,8%) e margens de distribuição e revenda (19,6%).

Elevação do ICMS

Especialistas apontam que custos logísticos, diferenças regionais e mudanças tributárias contribuem para que as reduções nas refinarias não sejam totalmente repassadas ao consumidor. A recente elevação do ICMS em R$ 0,10 por litro, com alíquota fixa em todo o país, teve impacto direto nos preços. “Mesmo quando há redução na origem, a carga tributária pode neutralizar esse efeito no curto prazo”, afirmou o professor do Ibmec-SP, Ricardo Hammoud, ao UOL. Ele também destacou a valorização do etanol como fator adicional de pressão sobre os preços.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a privatização da BR Distribuidora, em 2019, reduziu a capacidade da estatal de influenciar o preço final ao consumidor, já que a empresa deixou de atuar em toda a cadeia de distribuição.

Entidades do setor de revenda negam que os postos sejam os principais responsáveis pela alta. Segundo o presidente do Sincopetro-SP, José Alberto Gouveia, a margem dos revendedores permitiria reduzir, no máximo, R$ 0,06 dos R$ 0,14 cortados pela Petrobras.

Representantes do setor também apontam irregularidades como fator de distorção do mercado. Após a Operação Carbono Oculto identificar postos utilizados para lavagem de dinheiro, entidades afirmam que estabelecimentos irregulares pressionam preços e margens ao não recolher impostos nem registrar funcionários. “Não é justo concorrer com um posto que não paga impostos. O mercado honesto passa por uma fase muito difícil”, declarou Gouveia.

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