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Eleições 2022

Lula pede união de democratas em lançamento de pré-candidatura

Ex-presidente e ex-governador Alckmin apresentam oficialmente aliança na disputa ao Palácio do Planalto.
Por Estadão Conteúdo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez acenos a forças políticas de centro e mandou indiretas ao governo Jair Bolsonaro durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, em evento com mais seis partidos, neste sábado, 7, em São Paulo. Com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) como vice, o petista deve disputar a Presidência da República pela sexta vez. Ao destoar das falas de improviso, Lula leu seu discurso após uma série de declarações com repercussões negativas.

“Mais do que um ato político, essa é uma conclamação. Aos homens e mulheres de todas as gerações, todas as classes, religiões, raças e regiões do país. Para reconquistar a democracia e recuperar a soberania”, afirmou o petista ao acenar para o centro, ainda em busca de uma frente ampla.

Lula fez críticas ao custo de vida do brasileiro, lembrou de programas de seu governo (2003-2010) e tratou de riscos do que chamou de “ameaças totalitárias”. “O grave momento que o País atravessa, um dos mais graves da nossa história, nos obriga a superar eventuais divergências para construirmos juntos uma via alternativa à incompetência e ao autoritarismo que nos governam”, afirmou. “Queremos unir os democratas de todas as origens e matizes. Para enfrentar a ameaça totalitária, o ódio, a violência, a discriminação, a exclusão. “Queremos construir um movimento cada vez mais amplo”, disse.

Segundo o petista, o País terá a chance de decidir o que será pelos próximos anos. “O Brasil da democracia ou do autoritarismo? Do conhecimento e tolerância ou do obscurantismo e da violência? Da educação e cultura ou dos revólveres e fuzis?”, questionou.

O ex-presidente disse que o Brasil precisa de “calma e tranquilidade”. “Chega de ameaças, chega de suspeições absurdas, de chantagens verbais, tensões artificiais”, disse. “O país precisa de calma e tranquilidade para trabalhar e vencer as dificuldades atuais. E decidirá livremente, no momento que a lei determina, quem deve governá-lo.”

Participação

Primeiro a discursar, Alckmin afirmou que a aliança com Lula é “um chamado à razão” e chamou “as demais forças políticas” a se juntarem ao projeto com o petista. “Venham se juntar a nós. As próximas eleições guardam peculiaridade: será um grande teste para nossa democracia. Sem Lula não haverá alternância de poder e sem alternância de poder não haverá garantias para nossa democracia”, afirmou.

“Lula é a esperança que resta ao Brasil. Não é a primeira, a segunda nem a terceira, é a única via da esperança para o Brasil. Quando a ignorância se une à mentira para demonizar eleições livres, nós não devemos vacilar, o caminho é com Lula”, disse o ex-governador.

Nos bastidores do ato, aliados do ex-presidente admitiram que a aliança atual é considerada insuficiente e há a necessidade de aglutinar mais forças políticas ao centro para se formar, de fato, uma frente ampla. Segundo eles, o evento está longe de ter significância em termos de apoios.

Participam do evento Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Márcio França, ex-governador e pré-candidato pelo PSB, a presidente cassada Dilma Rousseff (PT), líderes sindicais e representantes de seis partidos que se juntaram ao PT - PSB, PSOL, PC do B, Rede, PV e Solidariedade. Guilherme Boulos (PSOL), Gabriel Chalita (sem partido) e os advogados Valeska e Cristiano Zanin, que atuaram na defesa de Lula na Lava Jato, também estavam presentes. Ao lado de Lula estava Rosângela Silva, a Janja, com quem irá se casar no dia 18 e a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR).

Ausências também se destacaram. Uma delas é a da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente de Lula Marina Silva, hoje na Rede.

As cores da Bandeira Nacional foram projetadas em um telão diante do público, estimado em 4 mil pessoas pelos organizadores do evento, intercaladas com o vermelho do PT. A ação faz parte de uma estratégia do novo marqueteiro do partido, Sidônio Palmeira, que quer “desavermelhar” o PT e buscar mais diálogo com empresariado e o centro.

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