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Obra dos Jogos Pan-Americanos do Rio será investigada

Ministério Público move ação contra ex-prefeito Cesar Maia, que recorreu a contratação de emergência em projeto que poder público teve 3 anos para licitar

O legado de irregularidades dos Jogos Pan-Americanos, organizados pelo Rio de Janeiro em 2007, não para de crescer.

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio moveu ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-prefeito da capital fluminense, Cesar Maia, o ex-secretário municipal de obras, Eider Dantas, e o ex-secretário especial do evento, Ruy Cezar, atual secretário da prefeitura para Copa 14 e Olimpíada 16.

Segundo o MPF, eles vão responder por dispensa indevida de licitação e favorecimento na contratação da Sanerio Engenharia para a construção das vias 5 e 6, de acesso à Vila do Pan, condomínio que serviu de alojamento de atletas.

As obras custaram à União R$ 15,55 milhões. De acordo com o procurador da República responsável pela ação, Alexandre Chaves, o então prefeito, apesar de ter assumido as obras em novembro de 2004, só deu início ao processo de contratação em 2007, a cinco meses do início dos Jogos.

A construção, então, foi caracterizada como emergencial, "uma emergência fabricada, já que não se tratava de uma situação decorrente de um imprevisto, mas de inércia administrativa, negligência", disse o procurador.

Com isso, segundo Chaves, a prefeitura pôde dispensar a concorrência pública. Três construtoras participaram. Duas delas igualaram o preço-referência (R$ 15.552.082,74). Com um orçamento 0,01% mais barato, a Sanerio venceu o processo.

"Temos provas de que ela foi escolhida antes mesmo do início da seleção", disse Chaves. Segundo a ação, um ofício assinado por Ruy Cezar "menciona, uma semana antes da instauração do procedimento de dispensa, que a Sanerio tinha a melhor proposta".

Em maio, o Ministério Público Federal (MPF-RJ) concluiu que houve superfaturamento no aluguel antecipado da Vila do Pan por dez meses e propôs ação civil pública contra seis réus, entre eles o ex-ministro do Esporte e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). De acordo com o MPF-RJ, o orçamento inicial para o aluguel dos 1.490 apartamentos era de R$ 15,4 milhões. Porém o valor desembolsado ao final do processo foi de R$ 25 milhões.

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