Imagem: : Edu Andrade/Grêmio FBPA
Bertoglio e Kleber têm sintonia e amigos na Ucrânia
Bertoglio e Kleber têm sintonia e amigos na Ucrânia Em tempo recorde, nasce um novo xodó no Estádio Olímpico. Ele precisou de duas semanas, três jogos e pouco mais de 90 minutos para arrancar elogios dos companheiros, trazer alento para a torcida e até virar hit no Twitter. É Facundo Bertoglio, o jovem argentino de 21 anos e 1m73cm, que começa a virar a história recente de pouco sucesso dos argentinos no Olímpico.
Bertoglio atuou em três partidas, nenhuma como titular. Foram 18 minutos contra o Cerâmica, 50 diante do River Plate-SE (assistência e gol) e mais 29 minutos neste domingo, quando barbarizou ao sofrer a falta do terceiro gol, colocar Fernando sem goleiro no lance seguinte e ainda fechar o placar com 5 a 0 - resultado exato que o Grêmio precisava para conquistar a liderança do Grupo 2 da Taça Farroupilha pelo saldo
.Além da já reconhecida habilidade, outro trunfo de Bertoglio aponta para o lado extrovertido. Sempre puxa conversa, não dispensa uma risada e se afasta definitivamente do perfil tímido e caladão de seus compatriotas Escudero e Miralles - o primeiro hoje atua no Atlético-MG, o segundo segue no Grêmio, mas sem chances no time.
- Ele é estrangeiro, chegou aqui e parece que foi criado nas categorias de base do Grêmio - conta o entusiasmado presidente Paulo Odone.
- É muito extrovertido, não é acanhado. Gosta de uma brincadeira - confirma o técnico Vanderlei Luxemburgo.
Amizade com Kleber
Para Bertoglio, um dos fatores decisivos para a pronta recuperação foi a amizade que cultivou com brasileiros no Dinamo Kiev. Aliás, o seu passado na Ucrânia ajudou a criar laços consistentes com Kleber, artilheiro gremista na temporada com nove gols. Ambos têm um amigo em comum no Dinamo, o volante Corrêa, ex-Palmeiras.
- O Kleber está me ajudando bastante. Me dou bem com todos, mas, por causa dessa amizade, temos uma relação um pouco mais próxima - conta Bertoglio, fala tão veloz quanto as suas pernas em campo.
O Gladiador corresponde as palavras de Bertoglio com mais elogios. Diz que o estilo de jogo do argentino complementa o seu.
- O Bertoglio é um jogador de muita qualidade. É um estilo de jogo que é mais parecido com o meu, sempre jogando para frente. Me ajuda bastante. Também procuro ajudá-lo fora do campo, apesar da língua diferente. É gente boa - define o atacante.
Elogios, mas nada de titularidade
Vanderlei Luxemburgo também cobre o argentino de boas referências, mas é cauteloso quanto a sua titularidade. Avisa que tem vários motivos para pensar assim. Um deles é a confiança em seu meio-campo com Fernando, Léo Gago, Souza e Marco Antonio, consagrado após o Gre-Nal da Taça Piratini. Também justifica a opção para não queimar etapas com o garoto e ainda defende sua utilização no ataque, em vez da meia.
- Deixei ele fora, porque procurei o equilibrio encontrado no Gre-Nal. Mas gostei muito da entrada dele no ataque. Eu não quero perder o jogar. Ele vai ter que buscar o espaço naturalmente. Tem que ir com calma, tem que convencer a todos, inclusive os companheiros, de que ele pode ser encarado, sim, como uma solução para a equipe - explica o técnico.
- O Vanderlei é um treinador que já ganhou tudo, muito inteligente - elogiou Bertoglio, para depois concordar: - Me sinto mais cômodo perto da área, é mais a minha posição.
Contra o Novo Hamburgo, Bertoglio foi chamado aos 16 minutos e entrou aos 19. O frisson da torcida nesse momento só se comparava à emoção de um grito de gol. Mas o sucesso instantâneo do argentino em campo foi além e virou motivo para hit na internet. Foi criada na web, logo após o jogo de domingo, uma "hashtag" que brinca com a pronúncia de seu nome, a "Bertoglio Mania". Em pouco tempo, ela alcançou os Trending Topics nacionais no Twitter.
Arena vira sonho
Mesmo com a idolatria que parte dos fãs, Bertoglio rechaça a fama de ídolo. Diz que, para chegar a esse ponto, precisa conquistar "coisas importantes" pelo clube. Por falar em futuro, o argentino já colocou uma meta: permanecer no clube para disputar uma Libertadores na Arena.
- Quero jogar na Arena, um estádio muito bonito. Quero jogar uma Libertadores lá - projeta.
Para isso, no entanto, será preciso renovar o contrato. Atualmente, o seu vínculo com o Grêmio vai até o meio do ano, com direitos econômicos fixados. Sobre uma possível renovação, o jogador desconversa. Prefere, no momento, apenas "desfrutar".
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