O zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, foi punido com 12 partidas de suspensão pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo (TJD-SP) após proferir comentários de cunho machista direcionados à árbitra Daiane Muniz. O caso ocorreu depois da derrota da equipe para o São Paulo por 2 a 1, pelas quartas de final do Campeonato Paulista.
Como a decisão foi tomada pelo tribunal estadual, a penalidade será cumprida em jogos do Campeonato Paulista da próxima temporada. Além da suspensão, o defensor também recebeu multa no valor de R$ 30 mil.
Gustavo Marques foi enquadrado em dois dispositivos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O artigo 243-G trata de atos discriminatórios ou ofensivos relacionados a preconceito de origem, raça, sexo ou outras condições, enquanto o artigo 243-F prevê punição para ofensas à honra de alguém em situação ligada diretamente ao esporte.
Relembre o caso
O caso ocorreu no dia 21 de fevereiro, quando o defensor marcou o único gol do Bragantino na partida que resultou na eliminação da equipe. Após o confronto, ele criticou a arbitragem e vinculou parte das reclamações ao fato de a responsável pelo jogo ser uma mulher.
“Primeiramente, eu quero falar da arbitragem, porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians, e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que fez. Acho que do São Paulo, todo mérito, pela camisa, pela tradição”, disse.
“Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para uns jogos desse tamanho, não colocar uma mulher. Todo o respeito às mulheres do mundo, eu sou casado, eu tenho minha mãe, então desculpa aí se eu estou falando alguma coisa para as mulheres, mas ela, do tamanho dela, eu acho que ela não tem a capacidade de apitar um jogo desse”, completou, em entrevista à TNT Sports.
Depois da repercussão, ainda no estádio, o atleta e o diretor esportivo do clube, Diego Cerri, foram até o vestiário da arbitragem para se desculpar pessoalmente e reconhecer o erro. Posteriormente, o jogador também publicou uma nota em suas redes sociais pedindo desculpas pelas declarações.
“Gostaria de me desculpar pelo que falei hoje após o jogo. Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria e podia. Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas as mulheres e, em especial, a Daiane, o que já fiz pessoalmente no estádio. Reconheço o meu erro e a infelicidade da minha declaração. Estou muito triste e peço desculpas do fundo do meu coração. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor. Prometo aprender com esse erro. Novamente, meu pedido de desculpas. Obrigado”, disse.
Ainda no dia da partida, o clube do interior paulista também se manifestou em repúdio à atitude do defensor por meio de suas redes sociais: “O Red Bull Bragantino vem a público reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz. O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida."
A própria Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou uma nota rejeitando a atitude de Gustavo. "É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo, neste sábado (21), pelo Paulistão Casas Bahia. Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça. Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres. Por fim, a FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis.”
Sara Nascimento
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