Jogadores da seleção espanhola criticaram as declarações do ex-primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy sobre a equipe da França às vésperas da semifinal da Copa do Mundo. Em uma coluna publicada na imprensa espanhola, Rajoy afirmou que os franceses possuem “um elenco de altíssimo nível”, mas “sem franceses”, em referência à origem de parte dos atletas da equipe.
As declarações provocaram reação imediata dentro do elenco espanhol. O atacante Borja Iglesias afirmou que o comentário o surpreendeu e entristeceu, destacando que o multiculturalismo é uma riqueza da sociedade francesa. Já o zagueiro Pau Cubarsí reforçou que qualquer atleta que represente oficialmente a França deve ser reconhecido como francês, independentemente da cor da pele.
Governo francês reage
A repercussão também chegou ao governo da França. O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, classificou as declarações como “patéticas” e afirmou que a França “não tem cor de pele”. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou que o comentário não representa a realidade de um país marcado pela diversidade.
Na Espanha, o atual primeiro-ministro Pedro Sánchez também criticou Rajoy e classificou a fala como xenófoba. Em mensagem pública, Sánchez afirmou que o pertencimento a um país não deve ser medido pelo nome, local de nascimento ou cor da pele, mas pela ligação e contribuição de cada pessoa à sociedade.
Polêmica antes da semifinal
Rajoy escreveu o texto analisando a campanha da França na Copa do Mundo, lembrando os títulos mundiais conquistados pelos franceses e o desempenho da equipe no torneio. A frase sobre a ausência de “jogadores franceses” foi interpretada como uma referência às origens familiares de atletas filhos ou netos de imigrantes, embora a maioria tenha nascido na França e possua nacionalidade francesa.
O episódio aumentou a tensão política em torno do confronto entre França e Espanha, marcado para esta terça-feira, em Dallas. A partida vale vaga na final da Copa do Mundo e ocorre em meio a um debate sobre racismo, identidade nacional e diversidade no futebol europeu.
Juliana Andrade
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