Nesse domingo (26), o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) anunciou que 956 pessoas foram presas em uma série de operações coordenadas em várias cidades do país. Este é o maior número de detenções desde que Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos. O ICE (Immigration and Customs Enforcement) é responsável por fiscalizar a imigração ilegal e combater o crime transnacional.
As operações de detenção ocorreram em alguns centros urbanos, como Chicago, Newark, Nova Jersey e Miami. Durante uma dessas batidas, um homem em Miami relatou à CBS News que sua esposa, que estava em processo de obtenção de cidadania, foi levada pelo ICE. Ele descreveu a situação como um “sequestro”. De acordo com o ICE, as detenções fazem parte de uma estratégia agressiva para reformar o sistema de imigração dos EUA, um dos pilares da agenda política de Trump desde sua posse.
Durante o Governo Biden, as deportações médias eram de 311 imigrantes por dia, enquanto o novo governo de Trump tem acelerado as operações, atingindo números muito mais altos. O presidente eleito dos Estados Unidos já expediu 21 decretos para reformar o sistema de imigração do país.
A intensificação das políticas de deportação também gerou um impacto diplomático significativo nas relações dos EUA com países da América Latina. Recentemente, imagens de brasileiros sendo deportados em aviões militares, algemados e amarrados, geraram repercussão internacional e protestos. Em resposta, o presidente colombiano inicialmente se recusou a receber os deportados, mas cedeu após a imposição de sanções econômicas pelos Estados Unidos.
Ainda em resposta à crise, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) convocou uma reunião de emergência para o dia 30 de janeiro, com a participação de líderes de países como Honduras, onde a chefe de Estado, Xiomara Castro, anunciou o compromisso em suas redes sociais.
O governo brasileiro, por sua vez, tem se posicionado contra o uso de algemas e correntes nos deportados, e o Ministério dos Direitos Humanos iniciou investigações sobre as alegações de abusos sofridos por brasileiros durante as deportações.
Izabella Furtado
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