O presidente de Madagascar, Andry Rajoelina, deixou o país sem apresentar renúncia formal ao cargo. Em discurso transmitido pela TV estatal na noite desta segunda-feira (13), o chefe de Estado afirmou que buscou refúgio para “proteger a própria vida”, em meio à crescente tensão política no país.
Rajoelina vinha enfrentando protestos desde setembro, liderados por jovens da geração Z. As manifestações ganharam força no último sábado (11), quando a Capsat, unidade de elite do Exército, passou a exigir a renúncia do presidente e de seus ministros.
Em sua fala, o mandatário classificou a movimentação como “uma tentativa ilegal de tomada de poder” e disse ter deixado o país por motivos de segurança.
“Fui forçado a encontrar um lugar seguro para proteger minha vida”, declarou.
Horas antes do pronunciamento, soldados tentaram tomar o controle da emissora estatal, e a Capsat anunciou que havia assumido o comando das Forças Armadas. O coronel Michael Randrianirina foi nomeado novo chefe militar, com o apoio do ministro da Defesa.
Randrianirina afirmou que o Exército apenas atendeu aos apelos da população e negou que o movimento constitua um golpe de Estado.
Por sua vez, Rajoelina pediu diálogo e respeito à Constituição, mas não informou seu paradeiro. A imprensa local aponta que ele teria embarcado em um avião militar francês, embora o governo da França não tenha confirmado a informação.
A relação entre os dois países continua próxima — Madagascar foi colônia francesa, e parte da população critica o fato de Rajoelina possuir também cidadania francesa.
Os protestos começaram em 25 de setembro, inicialmente motivados por cortes de água e energia elétrica, mas evoluíram para denúncias de corrupção, inflação e falhas no acesso à educação. Segundo a ONU, ao menos 22 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde o início da crise.
A instabilidade atual remete à crise de 2009, quando o próprio Rajoelina chegou ao poder com o apoio da Capsat, após a deposição do então presidente Marc Ravalomanana. Ele foi eleito em 2018 e reeleito em 2023.
Diante da escalada de tensão, a Embaixada dos Estados Unidos em Antananarivo recomendou que cidadãos norte-americanos permaneçam em locais seguros, classificando o cenário como “altamente volátil e imprevisível”. A União Africana também se manifestou, apelando por calma e moderação.
Rodrigo Mendes
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