O Governo dos Estados Unidos sancionou nesta sexta-feira (24) o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sua esposa Verónica Alcocer, o filho Nicolás Petro e o ministro do Interior, Armando Benedetti, sob acusação de facilitação do comércio internacional de cocaína e apoio ao narcotráfico, segundo comunicado do Departamento do Tesouro norte-americano. As medidas foram adotadas por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).
De acordo com o Tesouro, as sanções seguem a Ordem Executiva 14059, que atinge pessoas estrangeiras envolvidas no tráfico internacional de drogas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou: “Desde que o presidente Gustavo Petro chegou ao poder, a produção de cocaína na Colômbia explodiu para o nível mais alto em décadas, inundando os Estados Unidos e envenenando os americanos”. Bessent acrescentou que o presidente Donald Trump está “tomando medidas fortes para proteger nossa nação e deixar claro que não toleraremos o tráfico de drogas em nosso país”.
O documento do Tesouro aponta que Petro, ex-integrante da guerrilha M-19 e eleito presidente em 2022, teria concedido benefícios a organizações narcoterroristas por meio do programa “paz total”, resultando em recordes históricos de cultivo de coca e produção de cocaína. Trump já havia afirmado que a Colômbia “falhou” no cumprimento de suas obrigações de controle antidrogas.
Na quarta-feira (22), em declaração à imprensa na Casa Branca, Trump chamou Petro de “bandido” e “cara mau”, acusando-o de “fabricar muitas drogas” e dizendo que a Colômbia “tem fábricas de cocaína”. O presidente americano também confirmou a suspensão total da ajuda financeira dos EUA ao país.
As sanções bloqueiam todos os bens dos alvos em território norte-americano ou sob controle de cidadãos dos EUA, além de proibir qualquer transação financeira com os sancionados. Instituições que mantiverem relações comerciais com eles podem ser penalizadas civil ou criminalmente.
Em setembro, o Departamento de Estado dos EUA já havia cancelado o visto de Petro após sua participação em um protesto pró-Palestina em Nova York, durante o qual “instou soldados americanos a desobedecer ordens e incitou à violência”. A chancelaria americana anunciou na época: “Revogaremos o visto de Petro devido às suas ações imprudentes e incendiárias”.
Petro reagiu às sanções pelas redes sociais, mencionando o senador republicano Bernie Moreno, que havia alertado sobre possíveis medidas contra ele e sua família. “De fato, a ameaça de Bernie Moreno foi cumprida; eu, minha esposa e meus filhos fomos incluídos na lista do OFAC”, escreveu o presidente colombiano, afirmando que recorrerá à Justiça americana.
Efectivamente la amenaza de Bernie Moreno se cumplió, yo y mis hijos y mi esposa entramos a la lista OFAC.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) October 24, 2025
Mi abogado en mi defensa será Dany Kovalik de los EEUU.
Luchar contra el narcotráfico durante décadas y con eficacia me trae está medida del gobierno de la sociedad que…
Ele acrescentou: “Meu advogado de defesa será Dany Kovalik, dos Estados Unidos. Combater o tráfico de drogas por décadas e com eficácia me traz esta medida do governo da sociedade que ajudamos a deter o consumo de cocaína [em referência aos EUA]. Um grande paradoxo, mas não recuarei e nunca me ajoelharei”.
O caso marca o ponto mais baixo nas relações entre Washington e Bogotá em décadas. Em janeiro, os EUA já haviam ameaçado aplicar tarifas sobre produtos colombianos após Petro suspender voos de deportação de imigrantes ilegais.
Carolina Matta
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