Uma nova rodada de conversas entre representantes do Brasil e dos Estados Unidos está prevista para a noite deste domingo (26), na Malásia. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o governo brasileiro tenta negociar a suspensão temporária do chamado tarifaço durante o período de tratativas. A resposta ao pedido deve ser discutida nesse próximo encontro, cujo horário e local ainda não foram definidos.
“O presidente Trump ainda não suspendeu o tarifaço. O Brasil propôs uma suspensão enquanto durar o processo de negociação. As equipes dos dois países vão se reunir hoje à noite, aqui na Malásia, para avaliar se aceitam esse congelamento temporário. O Trump determinou que a delegação americana converse com a brasileira”, afirmou o ministro após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump.
Segundo Mauro Vieira, Lula também abordou outros temas durante o diálogo. O presidente brasileiro se ofereceu para atuar como mediador na crise da Venezuela, defendeu a América do Sul como uma zona de paz e citou o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao argumentar contra punições a ministros.
O encontro começou às 15h30 (horário local), no Centro de Convenções de Kuala Lumpur (KLCC), e ocorreu paralelamente à Cúpula de Líderes da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático). Inicialmente, a conversa seria restrita aos dois presidentes, assessores diretos e intérpretes. Ao fim, Mauro Vieira deverá conceder uma declaração oficial sobre o teor da reunião, segundo o Palácio do Planalto.
Na sala 410, Trump estava acompanhado do secretário de Estado, Marco Rubio; do secretário do Tesouro, Scott Bessent; e do representante de Comércio, Jamieson Greer. Lula foi assessorado por Mauro Vieira, pelo embaixador Audo Faleiro (Assessoria Especial) e por Márcio Elias Rosa, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Antes do diálogo, Trump chegou a indicar que poderia reduzir as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, mas apenas sob determinadas condições. Lula, por sua vez, afirmou que um entendimento amplo ainda é improvável neste momento.
A reunião teve caráter essencialmente político e buscou reabrir canais de diálogo sobre divergências bilaterais. Empresários com negócios nos Estados Unidos acompanham as discussões com expectativa de que os dois governos avancem rumo a um processo de negociação estruturado.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, avaliou que um acordo completo exigirá tempo. “Acreditamos que, no longo prazo, é vantajoso para o Brasil nos ter como parceiro comercial preferencial em vez da China, por causa da proximidade, da cultura e de várias convergências”, acrescentou.
Rodrigo Mendes
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