A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), alertou que o escudo protetor do reator da usina de Chernobyl, na Ucrânia, perdeu a capacidade de bloquear totalmente a radiação. A informação foi divulgada após uma inspeção detalhada da estrutura, localizada na zona de conflito entre Rússia e Ucrânia, e acompanhada do pedido de reparos imediatos.
A vistoria da AIEA avaliou o Novo Confinamento Seguro (NSC), a enorme cobertura de aço construída para impedir a liberação de material radioativo do reator destruído no desastre de 1986. Concluída em 2019 com um investimento europeu de € 1,5 bilhão (cerca de R$ 9,2 bilhões), a estrutura foi erguida sobre o “sarcófago” original de concreto, que tinha vida útil de apenas 30 anos.
Segundo a agência, a perda da função de confinamento ocorreu após um ataque de drone em fevereiro, que perfurou a cobertura e provocou um incêndio no revestimento externo. Autoridades ucranianas atribuíram o ataque à Rússia, embora Moscou tenha negado envolvimento. A AIEA confirmou que, devido aos danos, o NSC perdeu funções cruciais de segurança, incluindo o confinamento da radiação.
Apesar disso, a missão da agência constatou que não houve danos permanentes às estruturas de suporte ou aos sistemas de monitoramento, e que os níveis de radiação permaneceram estáveis. O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, destacou que, embora reparos temporários tenham sido feitos no telhado, a restauração completa continua sendo essencial para prevenir degradações futuras e garantir a segurança a longo prazo.
A AIEA recomendou trabalhos adicionais de restauração, incluindo controle de umidade, monitoramento da corrosão e modernização do sistema integrado de monitoramento automático da estrutura. Reparos temporários estão previstos para 2026, com apoio do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), enquanto a restauração completa só será feita após o fim do conflito na região.
A agência mantém uma equipe permanente em Chernobyl e reafirmou seu compromisso de restaurar totalmente a segurança nuclear no local. Recentemente, a AIEA enviou três novas remessas de equipamentos e suprimentos à Ucrânia, totalizando 188 desde o início do conflito. Paralelamente, entre 1º e 12 de dezembro, a agência avalia subestações elétricas essenciais para o resfriamento dos reatores e a operação segura das usinas nucleares do país.
Leandro Soares
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