O Governo da Mongólia recebeu nessa segunda-feira (08), o fóssil de um Tarbosaurus bataar, espécie aparentada ao Tiranossauro, além de outras 30 peças paleontológicas apreendidas pela alfândega francesa em 2015. O material havia sido retirado ilegalmente do deserto de Gobi e incluía ovos de dinossauro e partes de esqueletos raros.
Entre as peças devolvidas estão um grande crânio e uma pata com três dedos pertencentes ao Tarbosaurus, um dos maiores carnívoros terrestres do período cretáceo. Especialistas explicam que os fósseis provavelmente seriam levados à França para preparação e montagem antes de serem vendidos no mercado internacional.
Na época da apreensão, o esqueleto estava avaliado em cerca de € 700 mil, valor que poderia triplicar após a restauração completa. Hoje, alguns fósseis preparados chegam a alcançar milhões de euros em leilões privados.
As autoridades francesas também interceptaram nove caixas com ovos quase intactos de Oviraptor e diversas peças como vértebras, dentes, falanges, metacarpos e garras, além de outros dois esqueletos completos. Todo o conjunto foi recuperado em um depósito de uma empresa especializada em manipulação de fósseis.
A ministra da Cultura da Mongólia, Undram Chinbat, comemorou a repatriação das peças, classificando-as como patrimônio cultural do país. Segundo ela, os fósseis serão enviados a um novo Museu de Ciências Naturais, previsto para abrir no próximo ano.
O caso revelou uma rede internacional de contrabando que movimentava fósseis de vários países — incluindo Mongólia, Brasil, Madagascar e China — e os revendia a colecionadores ricos. As investigações francesas rastrearam o esquema até um mandante de origem alemã.
A devolução ocorre em meio a um aumento global no tráfico de bens culturais. Apenas em 2024, autoridades francesas apreenderam mais de 22 mil itens, entre eles 104 fósseis, enquanto o mercado ilegal continua impulsionado por leilões milionários de esqueletos de dinossauros.
Leandro Soares
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